{"id":357,"date":"2019-04-09T17:23:34","date_gmt":"2019-04-09T20:23:34","guid":{"rendered":"https:\/\/demo.themebeez.com\/royale-news-lite\/?p=357"},"modified":"2020-12-03T20:52:13","modified_gmt":"2020-12-03T23:52:13","slug":"politicas-publicas-para-as-mulheres-negras-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2019\/04\/09\/politicas-publicas-para-as-mulheres-negras-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"O sofrimento na pandemia \u00e9 preto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\" style=\"font-size:10px\">por: Lucas Holanda, Nat\u00e1lia Aguiar e Ra\u00edssa Moura<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA primeira coisa que eu senti, enquanto mulher negra, foi a quest\u00e3o da inseguran\u00e7a, porque eu sou preta, minha fam\u00edlia \u00e9 preta, meu companheiro \u00e9 preto, minha namorada \u00e9 preta, meu pai&#8230; todo mundo \u00e9 preto. E n\u00f3s sempre somos as pessoas que sofremos mais quando estouram os problemas sociais\u201d disse Joaninha Dias, ativista pela Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e professora, que vive na pele os problemas raciais no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um estudo feito pelo Boston Consulting Group, o n\u00famero de pessoas negras v\u00edtimas da COVID-19 \u00e9 seis vezes maior do que o de brancos. Outro dado que chama aten\u00e7\u00e3o, originado de um estudo feito pelo N\u00facleo de Opera\u00e7\u00f5es e Intelig\u00eancia em Sa\u00fade, da PUC-Rio de Janeiro, \u00e9 de que pessoas sem escolaridade morreram tr\u00eas vezes mais do que aquelas que t\u00eam n\u00edvel superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar, fazendo um paralelo de ra\u00e7a com escolaridade aqui no Brasil, os dados s\u00e3o ainda mais alarmantes e mostram uma dura realidade: negros e pardos sem escolaridade tiveram um \u00edndice de taxa de morte de 80,35%, enquanto 19,65% de pessoas brancas com n\u00edvel superior foram v\u00edtimas fatais da COVID-19, de acordo com os dados da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8220;Nem sempre foi poss\u00edvel deixarmos de ir trabalhar\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres negras sempre sofreram com a desigualdade racial no Brasil e, com a chegada do novo v\u00edrus, essa disparidade se intensificou. Piedade Marques, professora da rede b\u00e1sica aposentada<strong>, <\/strong>v\u00ea o mito da democracia racial no Brasil como realmente uma mentira e que, mesmo sentindo o racismo na pele, ainda \u00e9 dif\u00edcil afrontar as pessoas. \u201cMinha experi\u00eancia como mulher negra num pa\u00eds como o Brasil, racista e desigual, tem sido de uma mulher que se descobre a cada dia, das experi\u00eancias, do n\u00e3o dito mas do sentido. De um racismo velado, escondido nas piadas, na boa vontade, na fala do \u2018eu n\u00e3o quis dizer isso\u2019, \u2018voc\u00ea n\u00e3o entendeu bem\u2019, mas que vem recheado de muita maldade, muita perversidade. Esse \u00e9 o racismo estrutural que n\u00f3s sentimos e n\u00e3o temos condi\u00e7\u00e3o inicialmente de confrontar, porque todo mundo \u00e9 legal demais\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora aposentada mostra que o racismo continua afrontando e deixando as mulheres negras cada vez mais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cSeja a mulher negra no movimento social negro e nas organiza\u00e7\u00f5es feministas, seja a mulher negra dona de casa que toca sua vida no dia a dia, n\u00f3s estamos nessas duas realidades e elas terminam sendo perversas pelo medo de contrair a doen\u00e7a, porque somos maioria. Nem sempre foi poss\u00edvel durante essa pandemia toda n\u00f3s deixarmos de ir trabalhar\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar em casa, infelizmente, n\u00e3o foi poss\u00edvel para 41% das mulheres entrevistadas pela SOF (Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista), sendo 44% desse n\u00famero de mulheres negras. Danielle Santana, mulher negra&nbsp;que viu as conquistas de direitos serem arrancadas com a troca de governo, estudante de Jornalismo e estagi\u00e1ria do Jornal do Commercio, explica que, mesmo que o isolamento tenha sido imposto para toda a popula\u00e7\u00e3o, os direitos n\u00e3o foram sustentados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A vida continuou\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KTB-UhFkJ5A?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com a necessidade de apoio da popula\u00e7\u00e3o para a luta negra, Piedade Marques procura explicar a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o na briga a favor das mulheres negras, mostrando a realidade desse grupo, a fim de disseminar fatos. Ou\u00e7a o que Piedade fala sobre a alian\u00e7a entre comunica\u00e7\u00e3o e movimentos da causa negra. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PAPEL-JORNALISMO-COMUNICACAO-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 exposta por Danielle que exemplifica o poder do detalhamento de dados quando abordado temas delicados mas que j\u00e1 se tornaram \u201ccomuns\u201d no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Humanizar as v\u00edtimas\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S2z79myhXzk?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8220;O receio de que ser\u00edamos os primeiros a sofrer&#8221;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma teoria que diz que, por causa da vinda for\u00e7ada durante o per\u00edodo colonial, na qual os negros viajavam durante dias em um ambiente insalubre e sem grandes condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9, especialmente, afetada at\u00e9 hoje com como doen\u00e7as como hipertens\u00e3o. Por esse agravante, Joaninha Dias, professora negra da rede p\u00fablica de ensino e pedagoga pela UFPE, reflete que as pessoas pretas sempre foram os que mais sofreram com problemas sociais e que, com a pandemia no estado, ela temia que o novo problema tivesse o mesmo desfecho. \u201cO receio de que n\u00f3s ser\u00edamos os primeiros a sofrer as consequ\u00eancias da pandemia foi o primeiro choque, a primeira dor, de ser do grupo de risco porque somos hipertensos e isso j\u00e1 atingiu a gente com for\u00e7a e todo o contexto do acesso que t\u00ednhamos a hospitais, a cuidados se fossemos contaminados com corona\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a hipertens\u00e3o, a diabetes afeta mais os negros, tendo as mulheres negras 50% mais de chance de ter a doen\u00e7a que condiz com o excesso de a\u00e7\u00facar no sangue e \u00e9 um dos fatores para se considerar de grupo de risco. Uma tia da pedagoga, que passou a viver com o pai na pandemia, perdeu uma parte do p\u00e9 durante esse per\u00edodo por causa da enfermidade. Escute o que a tia de Joana teve que enfrentar durante o per\u00edodo em que os hospitais n\u00e3o funcionavam plenamente. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-PE-AMPUTADO-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em pesquisa divulgada em setembro pelo IBGE, no ano de 2019, 70% dos brasileiros utilizavam o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) como meio de atendimento m\u00e9dico. Na pandemia, por causa do grande volume de atendimento por causa do novo v\u00edrus, foi criado um aplicativo para \u201catendimento \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d. O aplicativo foi bastante divulgado nas m\u00eddias digitais com intuito de evitar aglomera\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os m\u00e9dicos, especialmente o p\u00fablico. Piedade Marques explica porque o SUS deve ser defendido pela popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-SUS-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8220;Me colocando em risco o tempo todo e eles tamb\u00e9m&#8221;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Joana, mulher negra e hipertensa, convive diariamente com a falta de pol\u00edtica p\u00fablica, principalmente durante a pandemia, em rela\u00e7\u00e3o aos transportes p\u00fablicos. Ela conta que usa transporte p\u00fablico para ir \u00e0 casa do pai para cuidar dele, sofre com a pol\u00edtica adotada para esses meios durante a pandemia e reclama do funcionamento de \u00f4nibus e metr\u00f4s. \u201cPoucos ve\u00edculos funcionando, trajetos longos fazendo em ambiente totalmente lotado, distanciamento nunca existiu nem no come\u00e7o da pandemia, nem no meio, nem agora. \u00c9 muito complicado voc\u00ea dizer que tem que ter distanciamento, que todo mundo tem que estar de m\u00e1scara e voc\u00ea n\u00e3o tem nem lugar para se segurar no metr\u00f4\u201d, responde. Em abril de 2020, houve a diminui\u00e7\u00e3o de 47% da frota dos \u00f4nibus no Grande Recife. \u201cVivo nesse dilema de que eu preciso ver e cuidar dos meus parentes, mas eu estou andando de um lado para o outro em um transporte p\u00fablico que n\u00e3o me protege em nada, que n\u00e3o me d\u00e1 seguran\u00e7a em nada, pagando uma tarifa alta e me colocando em risco o tempo todo e colocando eles tamb\u00e9m\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Joana conta um pouco da rotina de transporte p\u00fablico e os problemas que ela tem enfrentado durante a pandemia<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-CONDUCAO-LOTADA-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um grande fator que ajuda a comunidade negra s\u00e3o os movimentos sociais que t\u00eam ganhado participantes da sociedade em geral em prol da igualdade racial. Para Piedade, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, a popula\u00e7\u00e3o precisa participar dos movimentos e n\u00e3o disseminar not\u00edcias falsas. \u201cAmpliar as vozes do que tem sido constru\u00eddo pelas mulheres negras nesse pa\u00eds, nesse lugar que se coloca de invisibilidade mas que, com o trabalho constante, de formiguinha, de constru\u00e7\u00e3o coletiva, cada pessoa pode ajudar se envolvendo, se inteirando, participando de a\u00e7\u00f5es de solidariedade, de fortalecimento e ampliando as vozes dessas mulheres. Acredito que s\u00f3 na organiza\u00e7\u00e3o e no coletivo n\u00f3s conseguimos construir e transformar realidade\u201d, reafirma.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cAcessibilidade n\u00e3o acess\u00edvel\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de uma renda emergencial para os trabalhadores informais que n\u00e3o tinham como sobreviver durante o per\u00edodo pand\u00eamico \u00e9 um t\u00f3pico a ser debatido. Inicialmente, com projeto para ser de R$200 mensais, o aux\u00edlio emergencial foi sancionado com o valor de R$600. Danielle Santana afirma que \u00e9 uma \u201cacessibilidade n\u00e3o acess\u00edvel\u201d, pelos meios necess\u00e1rios para que o valor seja adquirido pelos que necessitam. Al\u00e9m disso, n\u00e3o faz sentido, para ela, o valor ser pago em uma demora t\u00e3o grande, sendo assim, conclui que o que foi feito n\u00e3o \u00e9 suficiente, j\u00e1 que pessoas ainda se arriscaram, tanto em trabalhos quanto em aglomera\u00e7\u00f5es para sacar o dinheiro na tentativa de sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Renda emergencial\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vgoqdB0oAZ0?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>O Estado \u00e9 falho<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esses relatos dilacerantes escancaram uma dura realidade: o Estado brasileiro \u00e9 falho e n\u00e3o consegue chegar para todos. N\u00e3o oferece direitos b\u00e1sicos para boa parte da popula\u00e7\u00e3o, que acaba precisando se virar em meio a um cen\u00e1rio de desigualdade social e de preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia (do novo coronav\u00edrus) aprofundou desigualdades que a popula\u00e7\u00e3o negra j\u00e1 vive no Brasil desde sempre\u201d, explica M\u00f4nica Oliveira, formada em comunica\u00e7\u00e3o social pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (UNICAP) e coordenadora da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. Um relato de quem vive essa dura realidade diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para M\u00f4nica Oliveira, a pandemia do novo coronav\u00edrus comprovou um fato que sempre esteve evidente para todo mundo: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista e desigual, que coloca as pessoas negras em completa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. \u201cEssas desigualdades j\u00e1 existiam antes da pandemia e elas se agudizaram no per\u00edodo da pandemia. E, as mulheres negras, por serem o segmento que est\u00e1 sempre nas condi\u00e7\u00f5es mais desvantajosas, que ocupam os lugares dos piores indicadores socioecon\u00f4micos, s\u00e3o as mais prejudicadas\u201d, afirmou M\u00f4nica, que completa destacando que essa realidade desigual n\u00e3o deve mudar no \u201cp\u00f3s pandemia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o \u00e9 importante que a gente afirme isso: existiam desigualdades, mas elas pioraram, se aprofundaram no per\u00edodo da pandemia, e agora no \u2018p\u00f3s pandemia\u2019 essas desigualdades v\u00e3o permanecer e as mulheres negras v\u00e3o estar em piores condi\u00e7\u00f5es do que estavam antes do coronav\u00edrus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste cen\u00e1rio de muito dificuldade, os movimentos sociais surgem como uma forma de amparo para quem tanto precisa. Al\u00e9m de M\u00f4nica, outra mulher que est\u00e1 neste meio auxiliando aquelas que est\u00e3o necessitadas \u00e9 Itanacy Ramos, integrante da equipe da Casa da Mulher do Nordeste e diretora do programa \u201cMulher, Trabalho e Vida Urbana\u201d. Na vis\u00e3o dela, a sociedade civil vem sendo fundamental para ajudar as mulheres durante este per\u00edodo de pandemia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Audio-Itanacy-1-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil teve um papel fundamental no sentido de garantir que chegasse as mulheres negras e a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica: alimento, prote\u00e7\u00e3o, m\u00e1scaras, produtos de higiene, mobilizou redes, mobilizou a sociedade e vem fazendo isso at\u00e9 hoje, cobrindo um buraco, cobrindo uma aus\u00eancia do estado brasileiro\u201d, afirmou a integrante da Casa da Mulher do Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de todas as dificuldades citadas por Joana e outras v\u00edtimas, as mulheres e a popula\u00e7\u00e3o brasileira precisaram enfrentar outro problema: a burocracia do aux\u00edlio emergencial. Para M\u00f4nica Oliveira, a demora na documenta\u00e7\u00e3o fez com que muitas pessoas que necessitavam do benef\u00edcio acabassem ficando sem. Al\u00e9m disso, exp\u00f4s outra dura realidade: a falta de documentos de quem mora em locais mais prec\u00e1rios e sem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como periferias e zona rural.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Audio-Monica-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se o Estado brasileiro j\u00e1 \u00e9 falho desde os prim\u00f3rdios, ele ficou ainda pior sob o governo de Jair Bolsonaro, que \u00e9 uma pessoa que sempre fez quest\u00e3o de minimizar a desigualdade social no pa\u00eds, como por exemplo quando <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/passar-fome-no-brasil-uma-grande-mentira-diz-bolsonaro-23818496\">afirmou que \u2018passar fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira\u2019<\/a>. Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m faz de tudo para descredibilizar os movimentos sociais, <a href=\"https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/bolsonaro-defende-ataques-a-bala-a-movimentos-sociais-em-palestra\/\">inclusive chamando esses grupos de terroristas<\/a>. Diante deste cen\u00e1rio, Itanacy acredita que \u00e9 hora de uma solidariedade nacional, em busca de diminuir os problemas que as classes mais vulner\u00e1veis acabam enfrentando. <\/p>\n\n\n\n<p>Os discursos de Itanacy e M\u00f4nica s\u00e3o refor\u00e7ados por Bernadete Perez, m\u00e9dica sanitarista e integrante da Rede Sol, um dos movimentos sociais de Pernambuco. Para ela, as principais car\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e3o nas vulnerabilidades de acesso, de informa\u00e7\u00e3o, de autocuidado\u2026 Enfim, de viver sem os direitos que deveriam ser aplicados para esse p\u00fablico, que foi ainda mais prejudicado durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o futuro, Bernadete, assim como suas companheiras de luta, que o trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar desde cedo, no que a milit\u00e2ncia chama de base. \u201cPara amenizar, acho que pra acabar com essa situa\u00e7\u00e3o a gente tem que ter um conjunto de pol\u00edticas, tem que ter o exerc\u00edcio de uma cidadania ativa di\u00e1ria, cotidiana, nas universidades, no movimento estudantil, na comunica\u00e7\u00e3o social, na sala de aula\u201d, diz Bernadete, que completa afirmando que essa uni\u00e3o pode melhorar n\u00e3o s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es de vida do p\u00fablico negro nas medidas de combate ao coronav\u00edrus, como tamb\u00e9m em outras frente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 melhora com esse conjunto de coisas para a resposta da pandemia, mas \u00e9 (tamb\u00e9m) resposta para as epidemias tanto de viol\u00eancia, de feminic\u00eddio, de doen\u00e7as evit\u00e1veis, de controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, que incidem nessas mulheres, negras, e que vivem na sua grande parte na periferia da cidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No mapa interativo a seguir, veja alguns dos lugares de apoio \u00e0s mulheres negras em Recife. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/cc534ca592ab9f7d5777248b0d8ae7d8\/lugares-de-apoio-as-mulheres-negras\/index.html\" frameborder=\"0\" width=\"100%\" height=\"800\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao papel do jornalismo, Bernadete afirmou que \u00e9 importante quebrar o modelo estrutural da comunica\u00e7\u00e3o, que, na vis\u00e3o dela, \u00e9 predominantemente formado por uma perspectiva patriarcal, branca, masculina, e que n\u00e3o atende aos combates das desigualdades e do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO papel do jornalismo \u00e9 ajudar no sentido de uma mensagem pol\u00edtico simb\u00f3lica que fa\u00e7a sentido para vida das pessoas e que dialogue com as pessoas, que consiga, junto com elas, transformar regras em pr\u00e1ticas, em modos de fazer no cotidiano de territ\u00f3rios diferentes. Nossa comunica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito dominante numa perspectiva patriarcal, branca, ocidental, masculina e a comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mediada pela pol\u00edtica que nos comp\u00f5e, que nos estrutura, e eu acho que a comunica\u00e7\u00e3o tem que desmontar isso. E o jornalismo tem que desmontar essa estrutura racista, preconceituosa e&nbsp;mis\u00f3gina\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8220;A cor da pele \u00e9 fator decisivo sobre a vida e a morte<\/strong>&#8220;<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eleito o primeiro grupo coletivo de mulheres da hist\u00f3ria de Pernambuco nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, o Juntas Codeputadas vem buscando auxiliar o p\u00fablico feminino que est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. E uma das formas de ajuda, claro, \u00e9 combatendo o racismo e as desigualdades presentes no pa\u00eds. Para Robeyonc\u00e9 Lima, uma das cinco mulheres que formam o coletivo, a cor da pele \u00e9 um indicativo sobre a (falta de) qualidade daquelas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA cor da pele da pessoa \u00e9 fator decisivo sobre a vida e a morte dentro do contexto da pandemia. Inclusive a cor da pele \u00e9 fator decisivo sobre a quest\u00e3o da letalidade policial, do encarceramento em massa, na desigualdade de renda, na viol\u00eancia est\u00e9tica, na mortalidade infantil e no retorno da fome\u201d, disse Robeyonc\u00e9, que completa destacando a necessidade de aceitarmos o racismo que existe em n\u00f3s para, a partir da\u00ed, construir um futuro combatendo esses problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo \u00e9 que a gente pode estar discutindo essa quest\u00e3o racial nessa sociedade, como \u00e9 que a gente pode estar fazendo um planejamento de futuro, o planejamento da na nossa sociedade, e sem aceitar o racismo que existe em n\u00f3s?\u201d, questionou a deputada estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante este per\u00edodo duro de pandemia do novo coronav\u00edrus, Pernambuco viveu um dos casos mais dilacerantes do racismo sistem\u00e1tico no Brasil, de acordo com a ONU. O caso \u00e9 o do menino Miguel, de cinco anos, que morreu ao cair do pr\u00e9dio de onde a sua m\u00e3e, Mirtes Souza, trabalhava como empregada dom\u00e9stica. No momento do acidente, o garoto estava &#8211; ou deveria estar &#8211; sob os cuidados Sari Corte Real, patroa da m\u00e3e de Miguel e primeira dama de Tamandar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Sari n\u00e3o cuidou de Miguel, deixou ele entrar no elevador sozinho para ir em busca da m\u00e3e, o que n\u00e3o aconteceu. De acordo com a per\u00edcia, o garoto se perdeu da m\u00e3e, foi at\u00e9 o nono andar do pr\u00e9dio, onde ficam as pe\u00e7as do ar-condicionado, escalou a grade de prote\u00e7\u00e3o e caiu de uma altura de cerca de 35 metros, que causou sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Este caso \u00e9 mais um dos exemplos de como o Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista e com grandes desigualdades. Para Robeyonc\u00e9, isso \u00e9 um \u2018projeto de necro-pol\u00edtica\u2019 fazendo com que a maioria do casos e das v\u00edtimas de coronav\u00edrus sejam em indiv\u00edduos negros que, infelizmente, seguem sendo expostos \u00e0 condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias dia ap\u00f3s dia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInfelizmente \u00e9 um projeto de necro-pol\u00edtica que n\u00e3o se importa com a vida dessas pessoas. Tamb\u00e9m \u00e9 uma comprova\u00e7\u00e3o do quanto a gente tem um Estado racista e que n\u00e3o se importa com a vida e com a sa\u00fade dessas pessoas que est\u00e3o cada vez mais expostas diante dessa pandemia do coronav\u00edrus. A maioria das v\u00edtimas do coronav\u00edrus s\u00e3o pessoas negras que, inclusive, enfrentam dificuldades no acesso \u00e0 sa\u00fade. (Al\u00e9m disso) a maioria das pessoas que est\u00e3o precisando de leito de UTI em hospitais p\u00fablicos s\u00e3o pessoas negras e como \u00e9 que a gente est\u00e1 lidando com essa situa\u00e7\u00e3o num contexto de crise sanit\u00e1ria como esse?\u201d, questiona Robeyonc\u00e9, que completa destacando o tratamento diferente das v\u00edtimas do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPorque \u00e9 isso, o coronav\u00edrus s\u00f3 virou pandemia enquanto estava em avi\u00f5es, o coronav\u00edrus s\u00f3 era pandemia enquanto estava subindo elevadores sociais. Quando come\u00e7a a descer elevadores de servi\u00e7o, o coronav\u00edrus deixa de ser pandemia, e quando sobe o morro tamb\u00e9m deixa de ser pandemia, porque a\u00ed mesmo o coronav\u00edrus \u00e9 para ficar\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos movimentos sociais, a Secretaria da Mulher de Pernambuco tamb\u00e9m vem cumprindo o papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que t\u00eam dificuldades &#8211; ainda mais durante essa pandemia. O objetivo da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 acolher o p\u00fablico feminino, enfrentando os preconceitos e promovendo programas que t\u00eam como principal meta a aplica\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00e3o necess\u00e1rias para o bem estar.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucidalva Nascimento, gerente de fortalecimento sociopol\u00edtico para as mulheres na Secretaria da Mulher do Estado, explicou como a organiza\u00e7\u00e3o, que atua de forma conjunta com as demais secretarias e organismos de pol\u00edtica para as mulheres, vem auxiliando este p\u00fablico durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. \u201cNesse sentido atuamos junto aos Comit\u00eas das Mulheres Negras, bissexuais e l\u00e9sbicas, com as mulheres com defici\u00eancia, mulheres idosas, as trabalhadoras sexuais, mulheres trans, dom\u00e9sticas e rurais. Realizamos reuni\u00f5es mensais, ouvindo suas demandas e encaminhando para os setores respons\u00e1veis. Realizamos Webconfer\u00eancia e F\u00f3runs virtuais de discuss\u00e3o com todos os segmentos de mulheres sobre temas relacionados \u00e0s suas pautas mulheres\u201d, afirmou Lucidalva, que completa elencando mais medidas de apoio para este p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApoiamos as mulheres junto a Ouvidoria da Mulher (0800.281.8187), orientando sobre o aux\u00edlio emergencial. Realizamos f\u00f3runs virtuais com as gestoras municipais de pol\u00edtica para as mulheres das 12 Regi\u00f5es do Estado para tratar exclusivamente sobre o enfrentamento a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher e a Rede de Prote\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n\n\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"bfab6e95-61a7-4bcb-b557-65329c426f31\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Programas da Secret\u00e1ria da Mulher de Pernambuco\"><\/div><script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");<\/script><div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/bfab6e95-61a7-4bcb-b557-65329c426f31\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Programas da Secret\u00e1ria da Mulher de Pernambuco<\/a><br><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Infogram<\/a><\/div>\n\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por: Lucas Holanda, Nat\u00e1lia Aguiar e Ra\u00edssa Moura \u201cA primeira coisa que eu senti, enquanto mulher negra, foi a quest\u00e3o da inseguran\u00e7a, porque eu sou preta, minha fam\u00edlia \u00e9 preta, meu companheiro \u00e9 preto, minha namorada \u00e9 preta, meu pai&#8230; todo mundo \u00e9 preto. 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E n\u00f3s sempre somos as pessoas que sofremos mais quando estouram os problemas sociais\u201d disse Joaninha Dias, ativista pela Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e professora, que vive na pele os problemas raciais no pa\u00eds.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>De acordo com um estudo feito pelo Boston Consulting Group, o n\u00famero de pessoas negras v\u00edtimas da COVID-19 \u00e9 seis vezes maior do que o de brancos. Outro dado que chama aten\u00e7\u00e3o, originado de um estudo feito pelo N\u00facleo de Opera\u00e7\u00f5es e Intelig\u00eancia em Sa\u00fade, da PUC-Rio de Janeiro, \u00e9 de que pessoas sem escolaridade morreram tr\u00eas vezes mais do que aquelas que t\u00eam n\u00edvel superior.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Para completar, fazendo um paralelo de ra\u00e7a com escolaridade aqui no Brasil, os dados s\u00e3o ainda mais alarmantes e mostram uma dura realidade: negros e pardos sem escolaridade tiveram um \u00edndice de taxa de morte de 80,35%, enquanto 19,65% de pessoas brancas com n\u00edvel superior foram v\u00edtimas fatais da COVID-19, de acordo com os dados da universidade.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading -->\n<h2><strong>\"Nem sempre foi poss\u00edvel deixarmos de ir trabalhar\u201d<\/strong><\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Mulheres negras sempre sofreram com a desigualdade racial no Brasil e, com a chegada do novo v\u00edrus, essa disparidade se intensificou. Piedade Marques, professora da rede b\u00e1sica aposentada<strong>, <\/strong>v\u00ea o mito da democracia racial no Brasil como realmente uma mentira e que, mesmo sentindo o racismo na pele, ainda \u00e9 dif\u00edcil afrontar as pessoas. \u201cMinha experi\u00eancia como mulher negra num pa\u00eds como o Brasil, racista e desigual, tem sido de uma mulher que se descobre a cada dia, das experi\u00eancias, do n\u00e3o dito mas do sentido. De um racismo velado, escondido nas piadas, na boa vontade, na fala do \u2018eu n\u00e3o quis dizer isso\u2019, \u2018voc\u00ea n\u00e3o entendeu bem\u2019, mas que vem recheado de muita maldade, muita perversidade. Esse \u00e9 o racismo estrutural que n\u00f3s sentimos e n\u00e3o temos condi\u00e7\u00e3o inicialmente de confrontar, porque todo mundo \u00e9 legal demais\u201d, conta.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A professora aposentada mostra que o racismo continua afrontando e deixando as mulheres negras cada vez mais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cSeja a mulher negra no movimento social negro e nas organiza\u00e7\u00f5es feministas, seja a mulher negra dona de casa que toca sua vida no dia a dia, n\u00f3s estamos nessas duas realidades e elas terminam sendo perversas pelo medo de contrair a doen\u00e7a, porque somos maioria. Nem sempre foi poss\u00edvel durante essa pandemia toda n\u00f3s deixarmos de ir trabalhar\u201d, revela.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Estar em casa, infelizmente, n\u00e3o foi poss\u00edvel para 41% das mulheres entrevistadas pela SOF (Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista), sendo 44% desse n\u00famero de mulheres negras. Danielle Santana, mulher negra\u00a0que viu as conquistas de direitos serem arrancadas com a troca de governo, estudante de Jornalismo e estagi\u00e1ria do Jornal do Commercio, explica que, mesmo que o isolamento tenha sido imposto para toda a popula\u00e7\u00e3o, os direitos n\u00e3o foram sustentados.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:core-embed\/youtube {\"url\":\"https:\/\/youtu.be\/KTB-UhFkJ5A\",\"type\":\"video\",\"providerNameSlug\":\"youtube\",\"className\":\"wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"} -->\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/youtu.be\/KTB-UhFkJ5A\n<\/div><\/figure>\n<!-- \/wp:core-embed\/youtube -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Com a necessidade de apoio da popula\u00e7\u00e3o para a luta negra, Piedade Marques procura explicar a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o na briga a favor das mulheres negras, mostrando a realidade desse grupo, a fim de disseminar fatos. Ou\u00e7a o que Piedade fala sobre a alian\u00e7a entre comunica\u00e7\u00e3o e movimentos da causa negra. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":738} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/PAPEL-JORNALISMO-COMUNICACAO-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 exposta por Danielle que exemplifica o poder do detalhamento de dados quando abordado temas delicados mas que j\u00e1 se tornaram \u201ccomuns\u201d no dia a dia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:core-embed\/youtube {\"url\":\"https:\/\/youtu.be\/S2z79myhXzk\",\"type\":\"video\",\"providerNameSlug\":\"youtube\",\"className\":\"wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"} -->\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/youtu.be\/S2z79myhXzk\n<\/div><\/figure>\n<!-- \/wp:core-embed\/youtube -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3} -->\n<h3>Sa\u00fade dos negros<\/h3>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Existe uma teoria que diz que, por causa da vinda for\u00e7ada durante o per\u00edodo colonial, na qual os negros viajavam durante dias em um ambiente insalubre e sem grandes condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9, especialmente, afetada at\u00e9 hoje com como doen\u00e7as como hipertens\u00e3o. Por esse agravante, Joaninha Dias, professora negra da rede p\u00fablica de ensino e pedagoga pela UFPE, reflete que as pessoas pretas sempre foram os que mais sofreram com problemas sociais e que, com a pandemia no estado, ela temia que o novo problema tivesse o mesmo desfecho. \u201cO receio de que n\u00f3s ser\u00edamos os primeiros a sofrer as consequ\u00eancias da pandemia foi o primeiro choque, a primeira dor, de ser do grupo de risco porque somos hipertensos e isso j\u00e1 atingiu a gente com for\u00e7a e todo o contexto do acesso que t\u00ednhamos a hospitais, a cuidados se fossemos contaminados com corona\u201d, explica.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Assim como a hipertens\u00e3o, a diabetes afeta mais os negros, tendo as mulheres negras 50% mais de chance de ter a doen\u00e7a que condiz com o excesso de a\u00e7\u00facar no sangue e \u00e9 um dos fatores para se considerar de grupo de risco. Uma tia da pedagoga, que passou a viver com o pai na pandemia, perdeu uma parte do p\u00e9 durante esse per\u00edodo por causa da enfermidade. Escute o que a tia de Joana teve que enfrentar durante o per\u00edodo em que os hospitais n\u00e3o funcionavam plenamente. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:group -->\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\"><!-- wp:audio {\"id\":739} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-PE-AMPUTADO-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio --><\/div><\/div>\n<!-- \/wp:group -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Em pesquisa divulgada em setembro pelo IBGE, no ano de 2019, 70% dos brasileiros utilizavam o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) como meio de atendimento m\u00e9dico. Na pandemia, por causa do grande volume de atendimento por causa do novo v\u00edrus, foi criado um aplicativo para \u201catendimento \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d. O aplicativo foi bastante divulgado nas m\u00eddias digitais com intuito de evitar aglomera\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os m\u00e9dicos, especialmente o p\u00fablico. Piedade Marques explica porque o <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/raissa-araujo-moura\/audio-sus\/s-cY9VC159pSi?in=raissa-araujo-moura\/sets\/audios-mulheres-negras-pandemia\/s-ux8DenufmnY\">SUS deve ser defendido<\/a> pela popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":740} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-SUS-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3} -->\n<h3>Transporte P\u00fablico<\/h3>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Joana, mulher negra e hipertensa, convive diariamente com a falta de pol\u00edtica p\u00fablica, principalmente durante a pandemia, em rela\u00e7\u00e3o aos transportes p\u00fablicos. Ela conta que usa <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/raissa-araujo-moura\/audio-conducao-lotada\/s-kAKbk1hBsQI?in=raissa-araujo-moura\/sets\/audios-mulheres-negras-pandemia\/s-ux8DenufmnY\">transporte p\u00fablico para ir \u00e0 casa do pai para cuidar dele<\/a>, sofre com a pol\u00edtica adotada para esses meios durante a pandemia e reclama do funcionamento de \u00f4nibus e metr\u00f4s. \u201cPoucos ve\u00edculos funcionando, trajetos longos fazendo em ambiente totalmente lotado, distanciamento nunca existiu nem no come\u00e7o da pandemia, nem no meio, nem agora. \u00c9 muito complicado voc\u00ea dizer que tem que ter distanciamento, que todo mundo tem que estar de m\u00e1scara e voc\u00ea n\u00e3o tem nem lugar para se segurar no metr\u00f4\u201d, responde. Em abril de 2020, houve a diminui\u00e7\u00e3o de 47% da frota dos \u00f4nibus no Grande Recife. \u201cVivo nesse dilema de que eu preciso ver e cuidar dos meus parentes, mas eu estou andando de um lado para o outro em um transporte p\u00fablico que n\u00e3o me protege em nada, que n\u00e3o me d\u00e1 seguran\u00e7a em nada, pagando uma tarifa alta e me colocando em risco o tempo todo e colocando eles tamb\u00e9m\u201d, conclui.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>TRANSPORT <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":741} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AUDIO-CONDUCAO-LOTADA-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Um grande fator que ajuda a comunidade negra s\u00e3o os movimentos sociais que t\u00eam ganhado participantes da sociedade em geral em prol da igualdade racial. Para Piedade, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, a popula\u00e7\u00e3o precisa participar dos movimentos e n\u00e3o disseminar not\u00edcias falsas. \u201cAmpliar as vozes do que tem sido constru\u00eddo pelas mulheres negras nesse pa\u00eds, nesse lugar que se coloca de invisibilidade mas que, com o trabalho constante, de formiguinha, de constru\u00e7\u00e3o coletiva, cada pessoa pode ajudar se envolvendo, se inteirando, participando de a\u00e7\u00f5es de solidariedade, de fortalecimento e ampliando as vozes dessas mulheres. Acredito que s\u00f3 na organiza\u00e7\u00e3o e no coletivo n\u00f3s conseguimos construir e transformar realidade\u201d, reafirma.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3} -->\n<h3>Aux\u00edlio Emergencial<\/h3>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A necessidade de uma renda emergencial para os trabalhadores informais que n\u00e3o tinham como sobreviver durante o per\u00edodo pand\u00eamico \u00e9 um t\u00f3pico a ser debatido. Inicialmente, com projeto para ser de R$200 mensais, o aux\u00edlio emergencial foi sancionado com o valor de R$600. Danielle Santana afirma que \u00e9 uma \u201cacessibilidade n\u00e3o acess\u00edvel\u201d, pelos meios necess\u00e1rios para que o valor seja adquirido pelos que necessitam. Al\u00e9m disso, n\u00e3o faz sentido, para ela, o valor ser pago em uma demora t\u00e3o grande, sendo assim, conclui que o que foi feito n\u00e3o \u00e9 suficiente, j\u00e1 que pessoas ainda se arriscaram, tanto em trabalhos quanto em aglomera\u00e7\u00f5es para sacar o dinheiro na tentativa de sobreviver.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:core-embed\/youtube {\"url\":\"https:\/\/youtu.be\/vgoqdB0oAZ0\",\"type\":\"video\",\"providerNameSlug\":\"youtube\",\"className\":\"wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"} -->\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/youtu.be\/vgoqdB0oAZ0\n<\/div><\/figure>\n<!-- \/wp:core-embed\/youtube -->\n\n<!-- wp:heading -->\n<h2><strong>Movimentos Sociais<\/strong><\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Esses relatos dilacerantes escancaram uma dura realidade: o Estado brasileiro \u00e9 falho e n\u00e3o consegue chegar para todos. N\u00e3o oferece direitos b\u00e1sicos para boa parte da popula\u00e7\u00e3o, que acaba precisando se virar em meio a um cen\u00e1rio de desigualdade social e de preconceito.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA pandemia (do novo coronav\u00edrus) aprofundou desigualdades que a popula\u00e7\u00e3o negra j\u00e1 vive no Brasil desde sempre\u201d, explica M\u00f4nica Oliveira, formada em comunica\u00e7\u00e3o social pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (UNICAP) e coordenadora da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. Um relato de quem vive essa dura realidade diariamente.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Para M\u00f4nica Oliveira, a pandemia do novo coronav\u00edrus comprovou um fato que sempre esteve evidente para todo mundo: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista e desigual, que coloca as pessoas negras em completa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. \u201cEssas desigualdades j\u00e1 existiam antes da pandemia e elas se agudizaram no per\u00edodo da pandemia. E, as mulheres negras, por serem o segmento que est\u00e1 sempre nas condi\u00e7\u00f5es mais desvantajosas, que ocupam os lugares dos piores indicadores socioecon\u00f4micos, s\u00e3o as mais prejudicadas\u201d, afirmou M\u00f4nica, que completa destacando que essa realidade desigual n\u00e3o deve mudar no \u201cp\u00f3s pandemia\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cEnt\u00e3o \u00e9 importante que a gente afirme isso: existiam desigualdades, mas elas pioraram, se aprofundaram no per\u00edodo da pandemia, e agora no \u2018p\u00f3s pandemia\u2019 essas desigualdades v\u00e3o permanecer e as mulheres negras v\u00e3o estar em piores condi\u00e7\u00f5es do que estavam antes do coronav\u00edrus\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Diante deste cen\u00e1rio de muito dificuldade, os movimentos sociais surgem como uma forma de amparo para quem tanto precisa. Al\u00e9m de M\u00f4nica, outra mulher que est\u00e1 neste meio auxiliando aquelas que est\u00e3o necessitadas \u00e9 Itanacy Ramos, integrante da equipe da Casa da Mulher do Nordeste e diretora do programa \u201cMulher, Trabalho e Vida Urbana\u201d. Na vis\u00e3o dela, a sociedade civil vem sendo fundamental para ajudar as mulheres durante este per\u00edodo de pandemia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":744} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Audio-Itanacy-1-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil teve um papel fundamental no sentido de garantir que chegasse as mulheres negras e a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica: alimento, prote\u00e7\u00e3o, m\u00e1scaras, produtos de higiene, mobilizou redes, mobilizou a sociedade e vem fazendo isso at\u00e9 hoje, cobrindo um buraco, cobrindo uma aus\u00eancia do estado brasileiro\u201d, afirmou a integrante da Casa da Mulher do Nordeste.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Al\u00e9m de todas as dificuldades citadas por Joana e outras v\u00edtimas, as mulheres e a popula\u00e7\u00e3o brasileira precisaram enfrentar outro problema: a burocracia do <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/raissa-araujo-moura\/audio-monica\/s-f9SUol4ky8o?in=raissa-araujo-moura\/sets\/audio-itanacy-e-monica\/s-mJhR1shofvu\">aux\u00edlio emergencial<\/a>. Para M\u00f4nica Oliveira, a demora na documenta\u00e7\u00e3o fez com que muitas pessoas que necessitavam do benef\u00edcio acabassem ficando sem. Al\u00e9m disso, exp\u00f4s outra dura realidade: a falta de documentos de quem mora em locais mais prec\u00e1rios e sem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como periferias e zona rural.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":742} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Audio-Monica-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Se o Estado brasileiro j\u00e1 \u00e9 falho desde os prim\u00f3rdios, ele ficou ainda pior sob o governo de Jair Bolsonaro, que \u00e9 uma pessoa que sempre fez quest\u00e3o de minimizar a desigualdade social no pa\u00eds, como por exemplo quando <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/passar-fome-no-brasil-uma-grande-mentira-diz-bolsonaro-23818496\">afirmou que \u2018passar fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira\u2019<\/a>. Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m faz de tudo para descredibilizar os movimentos sociais, <a href=\"https:\/\/vejario.abril.com.br\/cidade\/bolsonaro-defende-ataques-a-bala-a-movimentos-sociais-em-palestra\/\">inclusive chamando esses grupos de terroristas<\/a>. Diante deste cen\u00e1rio, Itanacy acredita que \u00e9 hora de uma solidariedade nacional, em busca de diminuir os problemas que as classes mais vulner\u00e1veis acabam enfrentando. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Os discursos de Itanacy e M\u00f4nica s\u00e3o refor\u00e7ados por Bernadete Perez, m\u00e9dica sanitarista e integrante da Rede Sol, um dos movimentos sociais de Pernambuco. Para ela, as principais car\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e3o nas vulnerabilidades de acesso, de informa\u00e7\u00e3o, de autocuidado\u2026 Enfim, de viver sem os direitos que deveriam ser aplicados para esse p\u00fablico, que foi ainda mais prejudicado durante a pandemia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Sobre o futuro, Bernadete, assim como suas companheiras de luta, que o trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar desde cedo, no que a milit\u00e2ncia chama de base. \u201cPara amenizar, acho que pra acabar com essa situa\u00e7\u00e3o a gente tem que ter um conjunto de pol\u00edticas, tem que ter o exerc\u00edcio de uma cidadania ativa di\u00e1ria, cotidiana, nas universidades, no movimento estudantil, na comunica\u00e7\u00e3o social, na sala de aula\u201d, diz Bernadete, que completa afirmando que essa uni\u00e3o pode melhorar n\u00e3o s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es de vida do p\u00fablico negro nas medidas de combate ao coronav\u00edrus, como tamb\u00e9m em outras frente.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cEssa situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 melhora com esse conjunto de coisas para a resposta da pandemia, mas \u00e9 (tamb\u00e9m) resposta para as epidemias tanto de viol\u00eancia, de feminic\u00eddio, de doen\u00e7as evit\u00e1veis, de controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, que incidem nessas mulheres, negras, e que vivem na sua grande parte na periferia da cidade\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao papel do jornalismo, Bernadete afirmou que \u00e9 importante quebrar o modelo estrutural da comunica\u00e7\u00e3o, que, na vis\u00e3o dela, \u00e9 predominantemente formado por uma perspectiva patriarcal, branca, masculina, e que n\u00e3o atende aos combates das desigualdades e do racismo.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cO papel do jornalismo \u00e9 ajudar no sentido de uma mensagem pol\u00edtico simb\u00f3lica que fa\u00e7a sentido para vida das pessoas e que dialogue com as pessoas, que consiga, junto com elas, transformar regras em pr\u00e1ticas, em modos de fazer no cotidiano de territ\u00f3rios diferentes. Nossa comunica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito dominante numa perspectiva patriarcal, branca, ocidental, masculina e a comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mediada pela pol\u00edtica que nos comp\u00f5e, que nos estrutura, e eu acho que a comunica\u00e7\u00e3o tem que desmontar isso. E o jornalismo tem que desmontar essa estrutura racista, preconceituosa e\u00a0mis\u00f3gina\u201d, finalizou.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading -->\n<h2><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Eleito o primeiro grupo coletivo de mulheres da hist\u00f3ria de Pernambuco nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, o Juntas Codeputadas vem buscando auxiliar o p\u00fablico feminino que est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. E uma das formas de ajuda, claro, \u00e9 combatendo o racismo e as desigualdades presentes no pa\u00eds. Para Robeyonc\u00e9 Lima, uma das cinco mulheres que formam o coletivo, a cor da pele \u00e9 um indicativo sobre a (falta de) qualidade daquelas pessoas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA a cor da pele da pessoa \u00e9 fator decisivo sobre a vida e a morte dentro do contexto de pandemia. Inclusive a cor da pele \u00e9 fator decisivo sobre a quest\u00e3o da letalidade policial, do encarceramento em massa, na desigualdade de renda, na viol\u00eancia est\u00e9tica, na mortalidade infantil e no retorno da fome\u201d, disse Robeyonc\u00e9, que completa destacando a necessidade de aceitarmos o racismo que existe em n\u00f3s para, a partir da\u00ed, construir um futuro combatendo esses problemas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cComo \u00e9 que a gente pode estar discutindo essa quest\u00e3o racial nessa sociedade, como \u00e9 que a gente pode estar fazendo um planejamento de futuro, o planejamento da na nossa sociedade, e sem aceitar o racismo que existe em n\u00f3s?\u201d, questionou a deputada estadual.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Durante este per\u00edodo duro de pandemia do novo coronav\u00edrus, Pernambuco viveu um dos casos mais dilacerantes do racismo sistem\u00e1tico no Brasil, de acordo com a ONU. O caso \u00e9 o do menino Miguel, de cinco anos, que morreu ao cair do pr\u00e9dio de onde a sua m\u00e3e, Mirtes Souza, trabalhava como empregada dom\u00e9stica. No momento do acidente, o garoto estava - ou deveria estar - sob os cuidados Sari Corte Real, patroa da m\u00e3e de Miguel e primeira dama de Tamandar\u00e9.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>No entanto, Sari n\u00e3o cuidou de Miguel, deixou ele entrar no elevador sozinho para ir em busca da m\u00e3e, o que n\u00e3o aconteceu. De acordo com a per\u00edcia, o garoto se perdeu da m\u00e3e, foi at\u00e9 o nono andar do pr\u00e9dio, onde ficam as pe\u00e7as do ar-condicionado, escalou a grade de prote\u00e7\u00e3o e caiu de uma altura de cerca de 35 metros, que causou sua morte.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Este caso \u00e9 mais um dos exemplos de como o Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista e com grandes desigualdades. Para Robeyonc\u00e9, isso \u00e9 um \u2018projeto de necro-pol\u00edtica\u2019 fazendo com que a maioria do casos e das v\u00edtimas de coronav\u00edrus sejam em indiv\u00edduos negros que, infelizmente, seguem sendo expostos \u00e0 condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias dia ap\u00f3s dia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cInfelizmente \u00e9 um projeto de necro-pol\u00edtica que n\u00e3o se importa com a vida dessas pessoas. Tamb\u00e9m \u00e9 uma comprova\u00e7\u00e3o do quanto a gente tem um Estado racista e que n\u00e3o se importa com a vida e com a sa\u00fade dessas pessoas que est\u00e3o cada vez mais expostas diante dessa pandemia do coronav\u00edrus. A maioria das v\u00edtimas do coronav\u00edrus s\u00e3o pessoas negras que, inclusive, enfrentam dificuldades no acesso \u00e0 sa\u00fade. (Al\u00e9m disso) a maioria das pessoas que est\u00e3o precisando de leito de UTI em hospitais p\u00fablicos s\u00e3o pessoas negras e como \u00e9 que a gente est\u00e1 lidando com essa situa\u00e7\u00e3o num contexto de crise sanit\u00e1ria como esse?\u201d, questiona Robeyonc\u00e9, que completa destacando o tratamento diferente das v\u00edtimas do coronav\u00edrus.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cPorque \u00e9 isso, o coronav\u00edrus s\u00f3 virou pandemia enquanto estava em avi\u00f5es, o coronav\u00edrus s\u00f3 era pandemia enquanto estava subindo elevadores sociais. Quando come\u00e7a a descer elevadores de servi\u00e7o, o coronav\u00edrus deixa de ser pandemia, e quando sobe o morro tamb\u00e9m deixa de ser pandemia, porque a\u00ed mesmo o coronav\u00edrus \u00e9 para ficar\u201d, finalizou.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Al\u00e9m dos movimentos sociais, a Secretaria da Mulher de Pernambuco tamb\u00e9m vem cumprindo o papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que t\u00eam dificuldades - ainda mais durante essa pandemia. O objetivo da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 acolher o p\u00fablico feminino, enfrentando os preconceitos e promovendo programas que t\u00eam como principal meta a aplica\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00e3o necess\u00e1rias para o bem estar.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Lucidalva Nascimento, gerente de fortalecimento sociopol\u00edtico para as mulheres na Secretaria da Mulher do Estado, explicou como a organiza\u00e7\u00e3o, que atua de forma conjunta com as demais secretarias e organismos de pol\u00edtica para as mulheres, vem auxiliando este p\u00fablico durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. \u201cNesse sentido atuamos junto aos Comit\u00eas das Mulheres Negras, bissexuais e l\u00e9sbicas, com as mulheres com defici\u00eancia, mulheres idosas, as trabalhadoras sexuais, mulheres trans, dom\u00e9sticas e rurais. Realizamos reuni\u00f5es mensais, ouvindo suas demandas e encaminhando para os setores respons\u00e1veis. Realizamos Webconfer\u00eancia e F\u00f3runs virtuais de discuss\u00e3o com todos os segmentos de mulheres sobre temas relacionados \u00e0s suas pautas mulheres\u201d, afirmou Lucidalva, que completa elencando mais medidas de apoio para este p\u00fablico.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cApoiamos as mulheres junto a Ouvidoria da Mulher (0800.281.8187), orientando sobre o aux\u00edlio emergencial. Realizamos f\u00f3runs virtuais com as gestoras municipais de pol\u00edtica para as mulheres das 12 Regi\u00f5es do Estado para tratar exclusivamente sobre o enfrentamento a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher e a Rede de Prote\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>GR\u00c1FICO COM PROGRAMAS DA SECRETARIA PARA AS MULHERES (2GQ)<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:html -->\n<iframe src=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/cc534ca592ab9f7d5777248b0d8ae7d8\/lugares-de-apoio-as-mulheres-negras\/index.html\" frameborder=\"0\" width=\"100%\" height=\"800\"><\/iframe>\n<!-- \/wp:html -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","_et_gb_content_width":""},"categories":[226],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357"}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1036,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions\/1036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}