{"id":110,"date":"2018-01-08T17:38:41","date_gmt":"2018-01-08T20:38:41","guid":{"rendered":"http:\/\/demo.themebeez.com\/royale-news\/?p=110"},"modified":"2020-12-14T17:57:43","modified_gmt":"2020-12-14T20:57:43","slug":"politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Isoladas: mulheres encarceradas em meio \u00e0 pandemia lutam por direitos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-color has-text-color\" style=\"font-size:12px\">Por: Isabela Aguiar, Paloma Almeida e Vittoria Fialho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Em junho deste ano, a pris\u00e3o da ativista Sara Rodrigues, de 24 anos, movimentou a sociedade civil contra a pol\u00edtica de encarceramento por diversos motivos. Moradora do bairro de \u00c1gua Fria, periferia do Recife, Sara teve a casa invadida por policiais militares, sem mandado ou autoriza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s abordarem uma amiga que havia acabado de sair da resid\u00eancia, sob o pretexto de comportamento suspeito. Na opera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de Sara, o companheiro e a amiga foram tamb\u00e9m detidos, acusados de tr\u00e1fico de entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O que mais indignou, no entanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o de coletivos que pediam soltura imediata de Sara, foi o fato de a combina\u00e7\u00e3o entre a condi\u00e7\u00e3o da ativista, gr\u00e1vida aos quatro meses de gesta\u00e7\u00e3o, e o agravamento da covid-19 n\u00e3o terem sido suficientes para que ela pudesse responder ao processo em liberdade. Ap\u00f3s a suspens\u00e3o das audi\u00eancias de cust\u00f3dia presenciais pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), devido ao contexto de pandemia, o caso de Sara foi analisado sem a presen\u00e7a da acusada e da defesa, e sem a possibilidade de revis\u00e3o acerca da abordagem policial que foi feita. O encarceramento de uma jovem gestante, grupo de risco, m\u00e3e de uma outra crian\u00e7a de cinco anos, sem antecedentes criminais, com carteira assinada e resid\u00eancia fixa, nessas circunst\u00e2ncias, revela n\u00e3o s\u00f3 a forma injusta como o sistema penal opera normalmente, mas como pode ser agravada em contextos de crise.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\">&#8220;O que existe \u00e9 um arranjo penitenci\u00e1rio&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">A realidade carcer\u00e1ria, no entanto, apesar dos muros erguidos, \u00e9, principalmente, um reflexo do lado externo, o da sociedade. A especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Sociais Wilma Melo, 67 anos, conheceu a dura realidade do sistema penitenci\u00e1rio atrav\u00e9s da morte do marido, ainda enquanto preso. Desde ent\u00e3o, h\u00e1 28 anos, ela milita em defesa da garantia de direitos humanos nas cadeias, sendo hoje por meio do Servi\u00e7o Ecum\u00eanico de Milit\u00e2ncia nas Pris\u00f5es (SEMPRI), no qual ocupa a fun\u00e7\u00e3o de coordenadora. As quase tr\u00eas d\u00e9cadas de trabalho dentro dos complexos penais possibilitaram a Wilma, al\u00e9m do conhecimento profundo da realidade das v\u00edtimas, uma percep\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00e1rcere e os impactos da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas por parte do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">\u201cN\u00e3o existe uma pol\u00edtica p\u00fablica penitenci\u00e1ria, chamam de sistema penitenci\u00e1rio, mas \u00e9 um arranjo\u201d, defende a assistente social ao discutir o abandono visto dentro das pris\u00f5es. Wilma tamb\u00e9m destaca a neglig\u00eancia aos princ\u00edpios e garantias constitucionais, e alerta que estas s\u00e3o substitu\u00eddas por medidas generalistas de encarceramento, o que fomenta a superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios e a consequente piora das inf\u00e9rteis condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia oferecidas \u00e0s detentas.<\/p>\n\n\n\n<p>Wilma Melo questiona as autoridades para al\u00e9m do discurso. Ao citar documentos que conferem, em tese, direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, ela refor\u00e7a o descompromisso do Estado. Em \u00e1udio, a assistente social discute o papel do Estado e as pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FullSizeRender-4-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ao citar a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, e a consequente garantia, ainda que em muitos aspectos apenas documental, Wilma Melo traz \u00e0 discuss\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o do jornalismo, tendo em vista o car\u00e1ter fiscalizador da profiss\u00e3o. Dessa forma, o fazer jornal\u00edstico \u00e9 diretamente ligado ao di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o, tendo essa, muitas vezes, uma vis\u00e3o restrita do que diz respeito aos direitos que tem e, consequentemente, como reivindicar a n\u00e3o garantia deles. Neste contexto de discuss\u00e3o, no livro Pol\u00edticas P\u00fablicas Sociais e os desafios para o jornalismo, o cap\u00edtulo dirigido pela professora e gestora p\u00fablica Claudia Costin esmi\u00fa\u00e7a uma pesquisa realizada pela Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos da Inf\u00e2ncia (ANDI), a qual indica que a cobertura de uma pol\u00edtica p\u00fablica se restringe ao lan\u00e7amento dessa iniciativa. Assim, entende-se que o registro feito \u00e9 bastante inicial, abrindo m\u00e3o de acompanhar o andamento das a\u00e7\u00f5es e, como consequ\u00eancia, de analisar a efic\u00e1cia. \u00c9 poss\u00edvel, desse modo, reiterar o constante apelo feito pela assistente social, que entende &#8211; e pede &#8211; o jornalismo como aliado, mas enxerga a parceria ainda distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Combativa e dona de um discurso firme, Wilma acumula amea\u00e7as de morte e \u00e9 mantida no Programa Estadual de Prote\u00e7\u00e3o. Mas as frequentes repres\u00e1lias n\u00e3o esmorecem a luta da assistente social, que com contundentes cr\u00edticas \u00e0s autoridades insiste em denunciar o falso compromisso com os direitos humanos para com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de c\u00e1rcere.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\">O lutar \u00e9 coletivo<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Realidade essa que Nathielly Ribeiro, cientista social e integrante do Coletivo Liberta Elas, grupo formado por mulheres feministas e abolicionistas que busca romper o isolamento de mulheres encarceradas no Recife, enfatiza quando discute o agravamento da escassez de produtos de higiene b\u00e1sica com a interrup\u00e7\u00e3o das visitas no in\u00edcio da pandemia. Mesmo sendo um paliativo para conter o v\u00edrus \u2018extra muros\u2019, a medida \u00e9 equivocada. Ainda que separando as internas do conv\u00edvio externo, esse ainda \u00e9 feito atrav\u00e9s dos agentes penitenci\u00e1rios e outros funcion\u00e1rios, que continuam transitando normalmente dentro e fora dos muros. Mas esse n\u00e3o \u00e9 um problema atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, vemos o contexto de higiene dentro das unidades prisionais, ser resumido em uma palavra: precariedade. Celas superlotadas e \u00famidas, saneamento m\u00ednimo ou inexistente, grande quantidade de doen\u00e7as infectocontagiosas e dificuldades em conseguir atendimento m\u00e9dico at\u00e9 para avalia\u00e7\u00f5es essenciais de rotina. J\u00e1 temos um cen\u00e1rio de encarceramento em massa totalmente degradante e exclu\u00eddo de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas, com presos e presas atr\u00e1s das grades sem nem ter obtido condena\u00e7\u00e3o. Muitas s\u00e3o deten\u00e7\u00f5es preventivas que poderiam ser convertidas em pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo agora, no contexto de pandemia e assegurado no Estatuto da Primeira Inf\u00e2ncia (Lei 13.257\/2016), que incluiu no art. 318 do C\u00f3digo de Processo Penal a possibilidade de convers\u00e3o de pris\u00f5es preventivas para domiciliares para mulheres gestantes ou m\u00e3es de crian\u00e7as com at\u00e9 doze anos incompletos ou pessoas com defici\u00eancia. As secretarias estaduais anunciaram a sa\u00edda em massa de mulheres que faziam parte do grupo de risco para cumprir (com tornozeleira eletr\u00f4nica) suas penas em casa, por\u00e9m a realidade \u00e9 bem diferente. Desde o in\u00edcio da chegada da covid-19, as unidades prisionais, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a negou mais pedidos de convers\u00e3o em pris\u00f5es domiciliares do que em outros per\u00edodos. Antes, os deferimentos chegavam a 43,85% dos pedidos, agora, ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, eles chegam a quase 56%.<span class=\"has-inline-color has-black-color\"> <\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-3 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"780\" height=\"944\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"780\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-1\/\" class=\"wp-image-780\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-1.jpeg 780w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-1-480x581.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 780px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Material arrecadado e doado. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"584\" height=\"708\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-3.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"782\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-3\/\" class=\"wp-image-782\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-3.jpeg 584w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-3-480x582.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 584px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Materiais de higiene coletados. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"584\" height=\"709\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-2-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"788\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-2-1\/\" class=\"wp-image-788\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-2-1.jpeg 584w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-2-1-480x583.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 584px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Material de higiene pessoal arrecadado. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"779\" height=\"930\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"789\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33\/\" class=\"wp-image-789\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33.jpeg 779w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-480x573.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 779px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Material recolhido. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.28.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"790\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-28\/\" class=\"wp-image-790\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.28.jpeg 960w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.28-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 960px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Kits de higiene. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"791\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-30\/\" class=\"wp-image-791\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30.jpeg 960w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 960px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Kits em m\u00e3os. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.26.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"785\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-26\/\" class=\"wp-image-785\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.26.jpeg 960w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.26-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 960px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Encontro organizado pr\u00e9-pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.27.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"784\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-27\/\" class=\"wp-image-784\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.27.jpeg 960w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.27-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 960px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Roda de conversa pr\u00e9-pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-2-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"786\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-31-2\/\" class=\"wp-image-786\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-2-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-2-980x980.jpeg 980w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-2-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Confraterniza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1021\" height=\"1021\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.32.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"787\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-32\/\" class=\"wp-image-787\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.32.jpeg 1021w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.32-980x980.jpeg 980w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.32-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1021px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Encontro ocorrido antes da pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas.<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"959\" height=\"959\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"793\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-30-1\/\" class=\"wp-image-793\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30-1.jpeg 959w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30-1-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 959px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Momento de intera\u00e7\u00e3o pr\u00e9-pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"794\" data-full-url=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-31-1\/\" class=\"wp-image-794\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1-980x980.jpeg 980w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><sup>Encontro promovido pr\u00e9-pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas <\/sup><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>O desamparo ressaltado por Nathielly, ainda que inserida na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas do sistema carcer\u00e1rio, foi sentido na pele por uma ex-detenta, liberada ap\u00f3s oito meses de cumprimento da pena, em meados do m\u00eas de abril, ainda no in\u00edcio da pandemia, por ser do considerada grupo de risco. Os mais de 240 dias presa foram determinantes para a percep\u00e7\u00e3o dela como indiv\u00edduo e as rela\u00e7\u00f5es que o ambiente em que estava poderia proporcionar. Maria comentou sobre o tratamento recebido e as dificuldades enfrentadas com rela\u00e7\u00e3o ao acesso a itens b\u00e1sicos de higiene em meio \u00e0 suspens\u00e3o das visitas, al\u00e9m do escasso cuidado com a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cL\u00e1 dentro \u00e9 complicado. Tive um problema s\u00e9rio com o fluxo de sangue na menstrua\u00e7\u00e3o e precisei pedir um exame. Passei quase nove meses l\u00e1 dentro e sa\u00ed com o papel na m\u00e3o, nunca fiz\u201d, lembrou Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00e1udio, a ex-detenta comentou momentos vividos no pres\u00eddio, al\u00e9m de comentar as rela\u00e7\u00f5es dentro da penitenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5657-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>No mapa interativo a seguir, veja as principais unidades prisionais de Pernambuco:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/c2d69b1bb2e82d02c0b7b8b7fdfc9ddb\/unidades-prisionais-femininas-de-pernambuco\/index.html\" frameborder=\"0\" width=\"100%\" height=\"800\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\">Um judici\u00e1rio no meio do caminho<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para a advogada criminalista Anna Beatriz, integrante da Comiss\u00e3o de Advocacia Popular da OAB-PE, a superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios no Brasil est\u00e1 relacionada \u00e0 neglig\u00eancia de medidas alternativas em casos associados \u00e0s drogas e ao excesso de pris\u00f5es provis\u00f3rias, como aconteceu com Sara Rodrigues. O que agrava o aspecto inconstitucional do caso da ativista \u00e9 a inobserv\u00e2ncia do artigo do c\u00f3digo penal que institui que mulheres gr\u00e1vidas, cujas acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o envolvem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, nem contra seus filhos, t\u00eam direito \u00e0 solu\u00e7\u00e3o alternativa ao c\u00e1rcere. Ao desconsiderar que o tr\u00e1fico \u00e9 um crime sem viol\u00eancia e grave amea\u00e7a, o judici\u00e1rio muitas vezes impossibilita um grande n\u00famero de m\u00e3es que est\u00e3o respondendo processos relacionados \u00e0s drogas de conseguirem pris\u00e3o domiciliar; essa rela\u00e7\u00e3o direta entre o crime e a maternidade, para a advogada, \u00e9 um reflexo social de condutas machistas reproduzido no sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00e1udio, a advogada comentou a direta rela\u00e7\u00e3o entre as decis\u00f5es do Sistema Tribunal Federal e a realidade das m\u00e3es detentas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5622-online-audio-converter.com_-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade em contextos prisionais Rebeca Vasconcelos, ao debater o tratamento dado \u00e0s presas dentro de um espa\u00e7o ref\u00e9m do escasso investimento, relembrou que a palavra sa\u00fade foi relacionada pela primeira vez ao sistema prisional apenas na d\u00e9cada de 80, com a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, e em somente um t\u00f3pico. Para Rebeca, o olhar tardio alcan\u00e7a muito al\u00e9m da sa\u00fade, e evidencia o descaso atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Rebeca contextualiza, atrav\u00e9s de uma linha do tempo, em \u00e1udio, os caminhos da sa\u00fade dentro da realidade carcer\u00e1ria, e as consequ\u00eancias dos atrasos envolvendo as pol\u00edticas p\u00fablicas pensadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5624-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A pandemia do coronav\u00edrus teve um papel revelador das condi\u00e7\u00f5es insalubres e desumanas destinadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria. Mais do que isso: o contexto atual de crise sanit\u00e1ria escancarou o massacre consentido dos direitos fundamentais concernentes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o interna dos pres\u00eddios, principalmente dentro do recorte de g\u00eanero. Os desafios relacionados as mulheres presas, e tamb\u00e9m egressas,  configuram uma dimens\u00e3o mais profunda do problema estrutural do sistema judici\u00e1rio brasileiro, e por isso precisam de um olhar mais direcionado para essas demandas espec\u00edficas. A resposta para que essas mulheres sejam melhor assistidas durante o protocolo de preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento ao coronav\u00edrus est\u00e1 no fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o complexo prisional. Assim, s\u00e3o caminhos poss\u00edveis, e j\u00e1 apontados, o cumprimento da Recomenda\u00e7\u00e3o 62 do CNJ, que visa a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, a melhoria das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias nessas unidades, juntamente com a garantia de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, e, principalmente, a compensa\u00e7\u00e3o para a medida de suspens\u00e3o de visitas.  <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-knight-lab\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src='https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/c2d69b1bb2e82d02c0b7b8b7fdfc9ddb\/unidades-prisionais-femininas-de-pernambuco\/index.html#?secret=U5wqZxFEmn' data-secret='U5wqZxFEmn' width='700' height='700' frameborder='0'><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-knight-lab\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src='https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/c2d69b1bb2e82d02c0b7b8b7fdfc9ddb\/unidades-prisionais-femininas-de-pernambuco\/index.html#?secret=U5wqZxFEmn' data-secret='U5wqZxFEmn' width='700' height='700' frameborder='0'><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Isabela Aguiar, Paloma Almeida e Vittoria Fialho Em junho deste ano, a pris\u00e3o da ativista Sara Rodrigues, de 24 anos, movimentou a sociedade civil contra a pol\u00edtica de encarceramento por diversos motivos. 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Moradora do bairro de \u00c1gua Fria, periferia do Recife, Sara teve a casa invadida por policiais militares, sem mandado ou autoriza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s abordarem uma amiga que havia acabado de sair da resid\u00eancia, sob o pretexto de comportamento suspeito. Na opera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de Sara, o companheiro e a amiga foram tamb\u00e9m detidos, acusados de tr\u00e1fico de entorpecentes.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"align\":\"left\"} -->\n<p class=\"has-text-align-left\">O que mais indignou, no entanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o de coletivos que pediam soltura imediata de Sara, foi o fato de a combina\u00e7\u00e3o entre a condi\u00e7\u00e3o da ativista, gr\u00e1vida aos quatro meses de gesta\u00e7\u00e3o, e o agravamento da covid-19 n\u00e3o terem sido suficientes para que ela pudesse responder ao processo em liberdade. Ap\u00f3s a suspens\u00e3o das audi\u00eancias de cust\u00f3dia presenciais pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), devido ao contexto de pandemia, o caso de Sara foi analisado sem a presen\u00e7a da acusada e da defesa, e sem a possibilidade de revis\u00e3o acerca da abordagem policial que foi feita. O encarceramento de uma jovem gestante, grupo de risco, m\u00e3e de uma outra crian\u00e7a de cinco anos, sem antecedentes criminais, com carteira assinada e resid\u00eancia fixa, nessas circunst\u00e2ncias, revela n\u00e3o s\u00f3 a forma injusta como o sistema penal opera normalmente, mas como pode ser agravada em contextos de crise.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"align\":\"center\"} -->\n<h2 class=\"has-text-align-center\">\"O que existe \u00e9 um arranjo penitenci\u00e1rio\"<\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"align\":\"left\"} -->\n<p class=\"has-text-align-left\">A realidade carcer\u00e1ria, no entanto, apesar dos muros erguidos, \u00e9, principalmente, um reflexo do lado externo, o da sociedade. A especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Sociais Wilma Melo, 67 anos, conheceu a dura realidade do sistema penitenci\u00e1rio atrav\u00e9s da morte do marido, ainda enquanto preso. Desde ent\u00e3o, h\u00e1 28 anos, ela milita em defesa da garantia de direitos humanos nas cadeias, sendo hoje por meio do Servi\u00e7o Ecum\u00eanico de Milit\u00e2ncia nas Pris\u00f5es (SEMPRI), no qual ocupa a fun\u00e7\u00e3o de coordenadora. As quase tr\u00eas d\u00e9cadas de trabalho dentro dos complexos penais possibilitaram a Wilma, al\u00e9m do conhecimento profundo da realidade das v\u00edtimas, uma percep\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00e1rcere e os impactos da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas por parte do Estado.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"align\":\"left\"} -->\n<p class=\"has-text-align-left\">\u201cN\u00e3o existe uma pol\u00edtica p\u00fablica penitenci\u00e1ria, chamam de sistema penitenci\u00e1rio, mas \u00e9 um arranjo\u201d, defende a assistente social ao discutir o abandono visto dentro das pris\u00f5es. Wilma tamb\u00e9m destaca a neglig\u00eancia aos princ\u00edpios e garantias constitucionais, e alerta que estas s\u00e3o substitu\u00eddas por medidas generalistas de encarceramento, o que fomenta a superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios e a consequente piora das inf\u00e9rteis condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia oferecidas \u00e0s detentas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Confira \u00e1udio da assistente social Wilma Melo sobre o papel do Estado e as pol\u00edticas p\u00fablicas:<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":805} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FullSizeRender-4-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ao citar a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, e a consequente garantia, ainda que em muitos aspectos apenas documental, Wilma Melo traz \u00e0 discuss\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o do jornalismo, tendo em vista o car\u00e1ter fiscalizador da profiss\u00e3o. Dessa forma, o fazer jornal\u00edstico \u00e9 diretamente ligado ao di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o, tendo essa, muitas vezes, uma vis\u00e3o restrita do que diz respeito aos direitos que tem e, consequentemente, como reivindicar a n\u00e3o garantia deles. Neste contexto de discuss\u00e3o, no livro Pol\u00edticas P\u00fablicas Sociais e os desafios para o jornalismo, o cap\u00edtulo dirigido pela professora e gestora p\u00fablica Claudia Costin esmi\u00fa\u00e7a uma pesquisa realizada pela Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos da Inf\u00e2ncia (ANDI), a qual indica que a cobertura de uma pol\u00edtica p\u00fablica se restringe ao lan\u00e7amento dessa iniciativa. Assim, entende-se que o registro feito \u00e9 bastante inicial, abrindo m\u00e3o de acompanhar o andamento das a\u00e7\u00f5es e, como consequ\u00eancia, de analisar a efic\u00e1cia. \u00c9 poss\u00edvel, desse modo, reiterar o constante apelo feito pela assistente social, que entende - e pede - o jornalismo como aliado, mas enxerga a parceria ainda distante.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Combativa e dona de um discurso firme, Wilma acumula amea\u00e7as de morte e \u00e9 mantida no Programa Estadual de Prote\u00e7\u00e3o. Mas as frequentes repres\u00e1lias n\u00e3o esmorecem a luta da assistente social, que com contundentes cr\u00edticas \u00e0s autoridades insiste em denunciar o falso compromisso com os direitos humanos para com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de c\u00e1rcere.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"align\":\"center\"} -->\n<h2 class=\"has-text-align-center\">O lutar \u00e9 coletivo<\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Realidade essa que Nathielly Ribeiro, cientista social e integrante do Coletivo Liberta Elas, grupo formado por mulheres feministas e abolicionistas que busca romper o isolamento de mulheres encarceradas no Recife, enfatiza quando discute o agravamento da escassez de produtos de higiene b\u00e1sica com a interrup\u00e7\u00e3o das visitas no in\u00edcio da pandemia. Mesmo sendo um paliativo para conter o v\u00edrus \u2018extra muros\u2019, a medida \u00e9 equivocada. Ainda que separando as internas do conv\u00edvio externo, esse ainda \u00e9 feito atrav\u00e9s dos agentes penitenci\u00e1rios e outros funcion\u00e1rios, que continuam transitando normalmente dentro e fora dos muros. Mas esse n\u00e3o \u00e9 um problema atual.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Nos \u00faltimos anos, vemos o contexto de higiene dentro das unidades prisionais, ser resumido em uma palavra: precariedade. Celas superlotadas e \u00famidas, saneamento m\u00ednimo ou inexistente, grande quantidade de doen\u00e7as infectocontagiosas e dificuldades em conseguir atendimento m\u00e9dico at\u00e9 para avalia\u00e7\u00f5es essenciais de rotina. J\u00e1 temos um cen\u00e1rio de encarceramento em massa totalmente degradante e exclu\u00eddo de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas, com presos e presas atr\u00e1s das grades sem nem ter obtido condena\u00e7\u00e3o. Muitas s\u00e3o deten\u00e7\u00f5es preventivas que poderiam ser convertidas em pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Mesmo agora, no contexto de pandemia e assegurado no Estatuto da Primeira Inf\u00e2ncia (Lei 13.257\/2016), que incluiu no art. 318 do C\u00f3digo de Processo Penal a possibilidade de convers\u00e3o de pris\u00f5es preventivas para domiciliares para mulheres gestantes ou m\u00e3es de crian\u00e7as com at\u00e9 doze anos incompletos ou pessoas com defici\u00eancia. As secretarias estaduais anunciaram a sa\u00edda em massa de mulheres que faziam parte do grupo de risco para cumprir (com tornozeleira eletr\u00f4nica) suas penas em casa, por\u00e9m a realidade \u00e9 bem diferente. Desde o in\u00edcio da chegada da covid-19, as unidades prisionais, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a <a>negou mais pedidos de convers\u00e3o em pris\u00f5es domiciliares do que em outros per\u00edodos. Antes, os deferimentos chegavam a 43,85% dos pedidos, depois da pandemia eles chegaram a quase 56%. <\/a><a href=\"#_msocom_2\">[2]<\/a>&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><a>xxx<\/a><a href=\"#_msocom_3\">[3]<\/a>&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A sa\u00fade mental foi um dos t\u00f3picos principais discutidos durante o isolamento. Pessoas questionando o que fazer em casa, descobrir atividades, formas de lazer. Se pararmos para refletir, como estar\u00e1 a sa\u00fade mental dessas mulheres neste mesmo contexto? Mulheres que j\u00e1 est\u00e3o em um ambiente totalmente insalubre, muitas reincidentes, que foram privadas de ver seus familiares (e vice versa) e n\u00e3o t\u00eam sequer op\u00e7\u00e3o de escolha para falar sobre esse assunto, pois est\u00e3o mais preocupadas em sobreviver. A pandemia do novo coronav\u00edrus exp\u00f4s, mais uma vez, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam efetivas para a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria e a total omiss\u00e3o do Estado junto a esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:gallery {\"ids\":[780,782,788,789,790,791,785,784,786,787,793,794]} -->\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"780\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-1\/\" class=\"wp-image-780\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Material arrecadado e doado pelo Coletivo para as detentas. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-3.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"782\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-3\/\" class=\"wp-image-782\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Materiais de higiene coletados pelo Coletivo e destinados para as detentas. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33-2-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"788\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33-2-1\/\" class=\"wp-image-788\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Material de higiene pessoal arrecadados pelo Coletivo. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.33.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"789\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-33\/\" class=\"wp-image-789\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Organiza\u00e7\u00e3o do material recolhido. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.28.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"790\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-28\/\" class=\"wp-image-790\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Kits de higiene organizados para distribui\u00e7\u00e3o. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"791\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-30\/\" class=\"wp-image-791\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Kits em m\u00e3os. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.26.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"785\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-26\/\" class=\"wp-image-785\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Encontro organizado pelo Coletivo antes da pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.27.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"784\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-27\/\" class=\"wp-image-784\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Roda de conversa organizada pelo Coletivo antes do per\u00edodo de pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-2-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"786\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-31-2\/\" class=\"wp-image-786\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Momento de confraterniza\u00e7\u00e3o promovido pelo Coletivo antes da pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.32.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"787\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-32\/\" class=\"wp-image-787\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Encontro ocorrido antes do per\u00edodo de pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas.<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.30-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"793\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-30-1\/\" class=\"wp-image-793\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Momento de intera\u00e7\u00e3o promovido pelo Coletivo antes da pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"794\" data-full-url=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-06-10-at-14.59.31-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2018\/01\/08\/politicas-publicas-para-a-populacao-carceraria-feminina-durante-a-pandemia\/whatsapp-image-2020-06-10-at-14-59-31-1\/\" class=\"wp-image-794\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Encontro promovido pelo Coletivo antes da pandemia. Foto: Arquivo Pessoal\/Liberta Elas <\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n<!-- \/wp:gallery -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O desamparo ressaltado por Nathielly, ainda que inserida na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas do sistema carcer\u00e1rio, foi sentido na pele por uma ex-detenta, liberada ap\u00f3s oito meses de cumprimento da pena, em meados do m\u00eas de abril, ainda no in\u00edcio da pandemia, por ser do considerada grupo de risco. Os mais de 240 dias presa foram determinantes para a percep\u00e7\u00e3o dela como indiv\u00edduo e as rela\u00e7\u00f5es que o ambiente em que estava poderia proporcionar. Maria comentou sobre o tratamento recebido e as dificuldades enfrentadas com rela\u00e7\u00e3o ao acesso a itens b\u00e1sicos de higiene em meio \u00e0 suspens\u00e3o das visitas, al\u00e9m do escasso cuidado com a sa\u00fade.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cL\u00e1 dentro \u00e9 complicado. Tive um problema s\u00e9rio com o fluxo de sangue na menstrua\u00e7\u00e3o e precisei pedir um exame. Passei quase nove meses l\u00e1 dentro e sa\u00ed com o papel na m\u00e3o, nunca fiz\u201d, lembrou Maria.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Confira o \u00e1udio abaixo com um relato sobre a viv\u00eancia no pres\u00eddio:<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":843} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5657-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"align\":\"center\"} -->\n<h2 class=\"has-text-align-center\">Um judici\u00e1rio no meio do caminho<\/h2>\n<!-- \/wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Para a advogada criminalista Anna Beatriz, integrante da Comiss\u00e3o de Advocacia Popular da OAB-PE, a superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios no Brasil est\u00e1 relacionada \u00e0 neglig\u00eancia de medidas alternativas em casos associados \u00e0s drogas e ao excesso de pris\u00f5es provis\u00f3rias, como aconteceu com Sara Rodrigues. O que agrava o aspecto inconstitucional do caso da ativista \u00e9 a inobserv\u00e2ncia do artigo do c\u00f3digo penal que institui que mulheres gr\u00e1vidas, cujas acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o envolvem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, nem contra seus filhos, t\u00eam direito \u00e0 solu\u00e7\u00e3o alternativa ao c\u00e1rcere. Ao desconsiderar que o tr\u00e1fico \u00e9 um crime sem viol\u00eancia e grave amea\u00e7a, o judici\u00e1rio muitas vezes impossibilita um grande n\u00famero de m\u00e3es que est\u00e3o respondendo processos relacionados \u00e0s drogas de conseguirem pris\u00e3o domiciliar; essa rela\u00e7\u00e3o direta entre o crime e a maternidade, para a advogada, \u00e9 um reflexo social de condutas machistas reproduzido no sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Confira abaixo o \u00e1udio da advogada a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre as decis\u00f5es do Sistema Tribunal Federal e a realidade das m\u00e3es detentas:<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":798} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5622-online-audio-converter.com_-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1: N\u00fameros do regime prisional e a rela\u00e7\u00e3o com as pris\u00f5es provis\u00f3rias em Pernambuco<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade em contextos prisionais Rebeca Vasconcelos, ao debater o tratamento dado \u00e0s presas dentro de um espa\u00e7o ref\u00e9m do escasso investimento, relembrou que a palavra sa\u00fade foi relacionada pela primeira vez ao sistema prisional apenas na d\u00e9cada de 80, com a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, e em somente um t\u00f3pico. Para Rebeca, o olhar tardio alcan\u00e7a muito al\u00e9m da sa\u00fade, e evidencia o descaso atual.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Confira abaixo o \u00e1udio da m\u00e9dica a respeito da sa\u00fade no ambiente prisional:<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":804} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_5624-online-audio-converter.com_.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Storymap 1:<\/strong><a href=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/c2d69b1bb2e82d02c0b7b8b7fdfc9ddb\/unidades-prisionais-femininas-de-pernambuco\/index.html\"> https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/c2d69b1bb2e82d02c0b7b8b7fdfc9ddb\/unidades-prisionais-femininas-de-pernambuco\/index.html<\/a><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:social-links -->\n<ul class=\"wp-block-social-links\"><!-- wp:social-link {\"url\":\"https:\/\/wordpress.org\",\"service\":\"wordpress\"} \/-->\n\n<!-- wp:social-link {\"service\":\"facebook\"} \/-->\n\n<!-- wp:social-link {\"service\":\"twitter\"} \/-->\n\n<!-- wp:social-link {\"service\":\"instagram\"} \/-->\n\n<!-- wp:social-link {\"service\":\"linkedin\"} \/-->\n\n<!-- wp:social-link {\"service\":\"youtube\"} \/--><\/ul>\n<!-- \/wp:social-links -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","_et_gb_content_width":""},"categories":[226],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110"}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110"}],"version-history":[{"count":43,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1034,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions\/1034"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}