{"id":1041,"date":"2021-06-14T17:23:59","date_gmt":"2021-06-14T20:23:59","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/?p=1041"},"modified":"2021-10-29T22:45:14","modified_gmt":"2021-10-30T01:45:14","slug":"a-pandemia-na-pele-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/2021\/06\/14\/a-pandemia-na-pele-trans\/","title":{"rendered":"A pandemia na pele trans"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;\u201cInfelizmente, n\u00f3s que somos travestis, n\u00f3s que somos homossexuais, temos que nos virar de todas as formas. Est\u00e1 doendo sim, todos os setores, tanto emocionalmente quanto financeiramente. A gente t\u00e1 tirando de onde n\u00e3o tem porque os custos dentro de casa est\u00e3o dif\u00edceis\u201d. Esta \u00e9 a realidade de Aghata Mirella (33), apenas uma de 1,9% das brasileiras e dos brasileiros identificados como transsexuais ou travestis no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados apresentados no dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o n\u00famero de pessoas trans assassinadas apresentou um aumento de 41% no ano de 2020 em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.&nbsp; Foram 175 mulheres trans e travestis que perderam suas vidas num per\u00edodo de fragilidade socioecon\u00f4mica ainda maior que o normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da dificuldade e do pouco apoio durante a pandemia do coronav\u00edrus, as pessoas trans tamb\u00e9m sofrem com um <em>plus <\/em>na rotina, convivendo com o preconceito, a transfobia e o racismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"720\" height=\"720\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/aghata-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1086\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/aghata-1.jpeg 720w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/aghata-1-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 720px, 100vw\" \/><figcaption>Aghata ao lado de Lia de Itamarac\u00e1. Foto: Acervo Pessoal.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Aghata trabalhava no Clube Metr\u00f3pole, boate da empres\u00e1ria Maria do C\u00e9u, como atendente e administradora, mas precisou se afastar ap\u00f3s o fechamento do local devido \u00e0s pol\u00edticas de isolamento do governo estadual. \u201cEra onde eu me sustentava. Como a empresa fechou, eu t\u00f4 me virando com o trocadinho que Maria do C\u00e9u reservou pra gente e sigo nessa luta\u201d. Desempregada, ela precisou se mudar para morar com a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 angustiante. O medo do coronav\u00edrus somado ao preju\u00edzo financeiro resultou em demiss\u00f5es. De acordo com estimativa da Antra, com raras oportunidades de emprego, cerca de 90% das pessoas trans do pa\u00eds acabam recorrendo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Apenas 4% da popula\u00e7\u00e3o trans feminina se encontra em empregos formais, enquanto 6% est\u00e3o em atividades informais e subempregos. No clube Metr\u00f3pole, onde Aghata trabalhava, de 36 pessoas, 12 continuam. \u201cN\u00e3o estou recebendo nenhuma ajuda de custo do Governo. N\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil\u201d, reclama Agatha. \u201cSeria muito bom se o Governo ajudasse a gente\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os projetos sociais s\u00e3o um porto seguro que oferece apoio. \u201cVoc\u00ea v\u00ea projetos como o Transviver, que a prefeitura em nenhum momento chega pra ajudar. A gente precisa gritar, precisa falar com a m\u00eddia dizendo que a gente precisa sim de ajuda. O governador e o prefeito precisam ver que a gente \u00e9 ser humano\u201d, reclama. Aghata acredita que a bandeira trans \u00e9 uma luta que precisa ser levantada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-4-OK.ogg\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A Aghata n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita e se repete na pele de Kalyndra, 25, que \u00e9 artista e trabalha com eventos e desfiles. Para ela, o momento \u00e9 ainda mais complicado para os transsexuais: \u201ctodos ficaram vulner\u00e1veis, mas principalmente n\u00f3s, que j\u00e1 encontramos muitas dificuldades no cotidiano em tempos normais como emprego, oportunidades de uma vida melhor e respeito nas ruas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A exclus\u00e3o social atinge todas as fases da vida de uma pessoa trans. Elas t\u00eam dificuldade em encontrar espa\u00e7o no mercado de trabalho, o que influencia diretamente nas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia desse p\u00fablico. Dados da Uni\u00e3o Nacional LGBT apontam que o tempo m\u00e9dio de vida de uma pessoa trans no Brasil \u00e9 de apenas 35 anos. Isso significa menos da metade da m\u00e9dia brasileira quanto \u00e0s pessoas cisg\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"5b851b29-e50f-4362-8e5c-647b59d0a78a\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Pessoas trans\"><\/div><script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");<\/script><div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/5b851b29-e50f-4362-8e5c-647b59d0a78a\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pessoas trans<\/a><br><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Infogram<\/a><\/div>\n\n\n\n<p>Como forma de auxiliar esse p\u00fablico, surgiu o Transviver, a partir de um encontro de pessoas trans e que, hoje em dia, realiza a\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es. As atividades atualmente incluem time de futsal, cursos preparat\u00f3rios, cursos de ingl\u00eas e servi\u00e7os espont\u00e2neos na \u00e1rea de sa\u00fade e direito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o trans, 90% praticamente, vive da prostitui\u00e7\u00e3o e nesse momento nem isso t\u00e1 podendo haver. Muitos se sujeitaram a voltar para suas casas e a opress\u00e3o \u00e9 muito grande dentro de casa\u201d, comenta Regina Guimar\u00e3es (61),&nbsp; presidente e fundadora da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/REGINA.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o, que vem prestando assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans, realiza a entrega de cestas b\u00e1sicas, kits de limpeza e higiene pessoal, kits para beb\u00eas, m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o e \u00e1lcool em gel no Bar do C\u00e9u, na Soledade. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a organiza\u00e7\u00e3o, acesse <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/transviver\">transviver<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atuando h\u00e1 13 anos em Pernambuco, a organiza\u00e7\u00e3o Amortrans \u00e9 outra entidade que ajuda atrav\u00e9s de cestas b\u00e1sicas e cursos profissionalizantes. \u201cEstamos finalizando mais um curso de maquiagem e dando in\u00edcio a log\u00edstica e organiza\u00e7\u00e3o de um curso profissionalizante de corte e costura. Al\u00e9m disso, estamos ainda na capta\u00e7\u00e3o de recursos, pois vivemos de doa\u00e7\u00f5es da sociedade civil\u201d, diz Jana\u00edna Falc\u00e3o, 41, articuladora pol\u00edtica da ONG.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jana\u00edna, o Governo do Estado n\u00e3o apoia a popula\u00e7\u00e3o trans e n\u00e3o ajuda nas a\u00e7\u00f5es. \u201cQuais a\u00e7\u00f5es, projetos do Governo atingem ou incluem pessoas trans? Nenhum\u201d, garante. A associa\u00e7\u00e3o possui mais de 40 mulheres filiadas e as doa\u00e7\u00f5es durante a pandemia se direcionam para aqueles que est\u00e3o sem trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento do com\u00e9rcio, boates e restaurantes foi um choque para o setor do entretenimento e lazer, n\u00e3o \u00e9 considerado essencial. \u201cO \u00faltimo dia que a boate funcionou foi 14 de mar\u00e7o de 2020 e eu j\u00e1 sabia que a gente n\u00e3o ia estar funcionando na pr\u00f3xima semana, mesmo que os clientes e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o soubessem, eu j\u00e1 estava acompanhando a situa\u00e7\u00e3o na Europa e sabia da gravidade da situa\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Maria do C\u00e9u, que administra empreendimentos voltados ao p\u00fablico LGBTQIA+.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"640\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maria-do-ceu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1090\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maria-do-ceu.jpg 640w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maria-do-ceu-480x480.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 640px, 100vw\" \/><figcaption>Maria do C\u00e9u, propriet\u00e1ria do Clube Metr\u00f3pole e Bar do C\u00e9u. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Redes Sociais.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/MARIA-DO-CEU-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Por ser uma boate que contava com muitas apresenta\u00e7\u00f5es e artistas na sua composi\u00e7\u00e3o, diante da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, Maria do C\u00e9u conta que foram realizadas diversas a\u00e7\u00f5es para ajudar este grupo. \u201cA gente fez lives solid\u00e1rias, rede solid\u00e1ria LGBT, que era uma rede de coleta e distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, fizemos isso at\u00e9 chegar o aux\u00edlio emergencial. Foram distribu\u00eddas mais de 2.500 cestas. Foi uma coisa que come\u00e7ou para a comunidade LGBT, para os artistas e a\u00ed se expandiu para outras pessoas que precisavam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser uma situa\u00e7\u00e3o que atinge toda a sociedade, a pandemia tamb\u00e9m pode afetar a vida de pessoas trans de outras formas. O designer Dada Cartaxo, homem trans em transi\u00e7\u00e3o durante a pandemia da Covid-19, tem parte do seu tratamento realizado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Em uma fase inicial, realizou exames m\u00e9dicos e participou de acolhimentos na Policl\u00ednica Lessa de Andrade, ligada \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade da Prefeitura do Recife, mas enfrentou uma pausa obrigat\u00f3ria durante o regime de lockdown no estado. O local possui um ambulat\u00f3rio LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"965\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dada-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1092\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dada-1-1.jpeg 750w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/dada-1-1-480x618.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 750px, 100vw\" \/><figcaption>Dada Cartaxo. Foto: Acervo Pessoal.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cA minha transi\u00e7\u00e3o foi muito violenta. Em 2017, eu falei que era trans, mas n\u00e3o consegui sustentar isso de uma forma legal\u201d. Dois anos depois, Dada voltou a afirmar publicamente que era trans: \u201ceu pensei que, se eu n\u00e3o levar isso a s\u00e9rio, quem vai levar?\u201d. Apenas em 2018 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade reconheceu que a transexualidade n\u00e3o era um transtorno mental.<\/p>\n\n\n\n<p>O designer tamb\u00e9m revela que ainda tem problemas para aceitar os seus seios. \u201cHomens trans se mutilam, se cortam\u201d, desabafa. Dada afirmou ainda ter praticado \u2018cisplay\u2019 &#8211; fingir que \u00e9 algu\u00e9m do g\u00eanero oposto.&nbsp; Por exemplo, fingir que se reconhece como uma mulher para ir ao banheiro. \u201cO estigma, o medo de sair na rua, ter que fazer cisplay para usufruir dos privil\u00e9gios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, ele reconhece a import\u00e2ncia do apoio psicol\u00f3gico, m\u00e9dico, de amigos e familiares: \u201ceu tenho uma rede de suporte. Eu sou branco, sou burgu\u00eas, moro em Casa Forte. Embora muitas vezes eu tenha pensado em suic\u00eddio\u201d. Sobre o reconhecimento social e a associa\u00e7\u00e3o de sua figura com a imagem que o senso comum associa tradicionalmente a uma mulher, Dada reconhece n\u00e3o se sentir \u00e0 vontade: \u201cEu tenho o rosto muito feminino, l\u00e1bios grossos e nariz afilado. Eu sou um cara muito feminino\u201d. Nesse sentido, ele pensa em dar in\u00edcio ao tratamento hormonal para atingir mais pelo, maxilar definido e entradas de cabelo masculinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje em dia, eu acho que \u00e9 muito importante voc\u00ea mostrar a cara, porque s\u00f3 mostram a cara das pessoas trans transicionadas\u201d, afirma. \u201cEu quero ter tra\u00e7os mais masculinos, mas sou feliz com quem sou hoje. Nem todo homem trans odeia seu corpo\u201d. Mesmo assim, ele sente falta de algo: \u201cvoc\u00ea olha pra mim, n\u00e3o acha que \u00e9 um homem. Acha que \u00e9 uma mulher. Isso incomoda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora do perfil social daqueles que s\u00f3 podem realizar o tratamento pelo SUS, o artista conta que fez essa op\u00e7\u00e3o por considerar que o servi\u00e7o p\u00fablico tem maior expertise e preparo para lidar com o p\u00fablico LGBTQIA+. Atrav\u00e9s do SUS, Dada s\u00f3 pretende realizar a terapia hormonal, j\u00e1 que a mastectomia &#8211; a retirada dos seios &#8211; demoraria muito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia me fez olhar para o meu corpo. Desde que eu me assumi trans, de 2017 para c\u00e1, eu engordei 21 kgs e isso me prejudicou muito\u201d, relata. Estar pelado, dan\u00e7ando, tocando e reconhecendo seu corpo foi um ponto positivo destacado por ele nos momentos de isolamento social. Dada atribui essas mudan\u00e7as f\u00edsicas a rem\u00e9dios que desaceleram o metabolismo e a quest\u00f5es de sa\u00fade mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/20210413_043808000_iOS-1-1.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Trazendo uma perspectiva diferente do per\u00edodo pand\u00eamico, primeira mulher trans selecionada para o The Voice Brasil, a recifense Diva Menner arrancou elogios dos quatro jurados ao cantar \u2018Through the Fire\u2019, e conseguir virar todas as cadeiras do programa. A edi\u00e7\u00e3o de 2020 da competi\u00e7\u00e3o musical se desenrolou durante a pandemia e acabou projetando a artista a n\u00edvel nacional em um per\u00edodo especialmente dif\u00edcil para os profissionais que sobrevivem da m\u00fasica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que, ao retornar para Pernambuco, haviam oportunidades que n\u00e3o puderam ser completamente aproveitadas \u2013 pelo menos n\u00e3o naquele momento \u2013 devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do per\u00edodo. \u201cA vida t\u00e1 dif\u00edcil pra todo mundo. Principalmente pra n\u00f3s, do meio musical, somos os mais atingidos por n\u00e3o poder mais mostrar nosso trabalho\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A carreira, al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o profissional, tem um significado especial para a primeira trans classificada no programa: poder desvencilhar uma imagem negativa em rela\u00e7\u00e3o a essas mulheres trans: \u201ctemos profissionais em diversas \u00e1reas. Conhe\u00e7o mulheres carcer\u00e1rias, delegadas, dentistas, diretoras de escola, professoras&#8230; Mas \u00e9 uma pequena fatia. S\u00e3o as ruas as primeiras portas que se abre para uma travesti, a porta da prostitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos como o de Diva s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. A verdade \u00e9 que no universo LGBTQIA+, a popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 a mais vulnerabilizada, segundo aponta a presidente da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero (CDSG) da Ordem dos Advogados do Brasil estadual, Goretti Soares. Sendo assim, esse grupo acaba demandando mais apoio da sociedade para enfrentar momentos de crise. S\u00e3o eles tamb\u00e9m que encontram mais dificuldade para conseguir a assist\u00eancia necess\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s dificuldades espec\u00edficas do isolamento, Goretti destaca a moradia. \u201cConsiderando que a popula\u00e7\u00e3o trans tem dificuldades no universo familiar, pessoas tiveram que ir para as ruas. Muita gente que n\u00e3o tinha ou n\u00e3o tem onde morar, e muitas vezes ia para abrigos ou algum local, precisou se afastar para evitar aglomera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cPara quem vivia dentro de casa e j\u00e1 tinha problemas familiares, a expuls\u00e3o de casa \u00e9 uma realidade\u201d, termina a advogada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Comiss\u00e3o de Diversidade e G\u00eanero, a presidente afirma que j\u00e1 havia uma expectativa negativa sobre a viv\u00eancia trans na pandemia. Por isso, algumas iniciativas precisaram ser tomadas, nesse caso, atrav\u00e9s de parcerias com outras entidades, p\u00fablicas e privadas, como a Coordenadoria LGBT do Estado e o Centro Estadual de Combate \u00e0 Homofobia. \u201cCom todas as limita\u00e7\u00f5es que temos, por ser uma comiss\u00e3o dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o privada e de categoria profissional, a gente tentou, fazendo parcerias, contribuir na medida do poss\u00edvel\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCriamos programas de arrecada\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, j\u00e1 no in\u00edcio da pandemia, quando a gente ainda n\u00e3o conhecia direito o que ia acontecer. N\u00f3s, em parceria com o Centro de Combate \u00e0 Homofobia e com a Comiss\u00e3o de Igualdade Racial da OAB-PE, promovemos uma arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e distribu\u00edmos para alguns grupos identificados\u201d, detalha Goretti. Segundo ela, as a\u00e7\u00f5es foram para atender o caso emergencial, tentando inclusive conseguir espa\u00e7o para essas pessoas nos locais privados de atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente celebra o \u00f3rg\u00e3o que \u00e9 a primeira Comiss\u00e3o de Diversidade e G\u00eanero criada em todo o sistema OAB nacional. Entretanto, lamenta a aus\u00eancia de uma casa de acolhimento para pessoas trans no estado: \u201cessa \u00e9 uma luta que a popula\u00e7\u00e3o trava e que a nossa Comiss\u00e3o est\u00e1 tentando ver se consegue, atrav\u00e9s do poder p\u00fablico. Criar pelo menos uma casa de passagem, um centro de acolhimento para pessoas expulsas de casa ou vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vulnerabilidade que j\u00e1 sofr\u00edamos aumentou,&nbsp; mas o medo do amanh\u00e3 que agora todo mundo tem era uma coisa que a gente j\u00e1 tinha desde sempre\u201d. Esta frase \u00e9 de Robeyonce Lima, tamb\u00e9m membro da CDSG, al\u00e9m de integrar a Comiss\u00e3o de Igualdade Racial da OAB. A primeira advogada travesti de Pernambuco, \u00e9 parte do mandato de co-deputadas Juntas (PSOL), a primeira chapa coletiva eleita para a Assembleia Legislativa do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Robeyonce-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1093\" srcset=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Robeyonce-1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Robeyonce-1-980x653.jpeg 980w, https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Robeyonce-1-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption>Robeyonce Lima. Foto: Acervo Pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como um s\u00edmbolo da representatividade no legislativo, Robeyonce explica algumas das dificuldades sofridas por ser uma travesti: \u201caprovamos com muita dificuldade, mas conseguimos. O projeto diz que o Governo do Estado tem que considerar casais LGBT na hora de distribuir moradia popular nos conjuntos habitacionais\u201d. \u201cA gente escutou, na Assembleia Legislativa, deputado falando quem n\u00e3o queria dar casa para \u2018viado safado\u2019, \u00e9 coisa desse n\u00edvel\u201d, desabafa a deputada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua vis\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+ n\u00e3o \u00e9 prioridade para o Governo do Estado quando o assunto \u00e9 pol\u00edticas p\u00fablicas. Atualmente n\u00e3o existe uma casa de abrigo para essa popula\u00e7\u00e3o em Pernambuco. Sem um abrigo espec\u00edfico, que tenha profissionais capacitados para cuidar de pessoas com um hist\u00f3rico de viol\u00eancia familiar, muitas n\u00e3o encontram alternativas de moradia e podem acabar nas ruas, expostas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da Covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo poder legislativo, estamos de m\u00e3os atadas em v\u00e1rios momentos. A Constitui\u00e7\u00e3o de Pernambuco diz que n\u00e3o podemos legislar sobre uma mat\u00e9ria que d\u00ea despesas para o governo. Dificultando, assim, que projetos de lei que buscam trazer esses espa\u00e7os f\u00edsicos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/moradia-robeyonce.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Pouco se fala no governo sobre um apoio espec\u00edfico a esse grupo. Segundo Robeyonce, n\u00e3o existe por exemplo um dado espec\u00edfico de n\u00famero de casos de Covid-19 para pessoas LGBTQI+. Com o objetivo de se ter mais controle sobre esses dados, as JUNTAS protocolaram um PL dentro para que os prontu\u00e1rios de sa\u00fade da rede p\u00fablica do estado tenham o item a ser preenchido sobre a orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/saude-robeyonce.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o intuito de confortar as pessoas trans, Robeyonce demonstrou palavras de conforto.\u201cO amanh\u00e3 \u00e9 um medo constante para a gente, n\u00e3o sabemos se vamos viver no dia seguinte porque pode chegar qualquer pessoa, matar a gente, dar uma facada, um tiro ou ser apedrejada. Temos que ficar nessa luta e na resist\u00eancia constante que j\u00e1 \u00e9 uma coisa t\u00edpica da gente sabe da popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+ principalmente em um pa\u00eds extremamente&nbsp; machista e LGBTQIf\u00f3bico. Temos que continuar firme e em casa, se tiver, e arrumar uma forma de ativismo pol\u00edtico para que a gente n\u00e3o se cale durante a pandemia. Ficar em casa n\u00e3o quer dizer ficar calada!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, existem no estado institui\u00e7\u00f5es voltadas para os LGBTs. A coordenadoria de pol\u00edticas LGBT do Governo do Estado, nasceu em 2009 como uma assessoria, com o intuito de trazer para dentro da estrutura do executivo essa tem\u00e1tica. \u201cO nosso trabalho \u00e9 feito&nbsp; em di\u00e1logo com a sociedade civil, por meio do conselho LGBT\u201d. \u201cEstamos construindo um plano da diversidade onde existem propostas de execu\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas LGBT dentro das Secretarias Estaduais. O plano est\u00e1 sendo constru\u00eddo desde antes da pandemia e agora estamos tentando adaptar para os anos de 2021 at\u00e9 2023\u201d, explica a coordenadora Poliny Aguiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO conselho que faz parte da coordenadoria \u00e9 composto pela parte civil e pelos pol\u00edticos. O espa\u00e7o onde o grupo faz sugest\u00f5es, se baseiam pelo plano, que foi estudado e baseado em confer\u00eancias e \u00e9 onde acontecem os di\u00e1logos das secretarias e monitoria das execu\u00e7\u00f5es do plano\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadoria tamb\u00e9m faz o di\u00e1logo com os munic\u00edpios de Pernambuco buscando incluir pol\u00edticas para acolher os LGBTS e promover \u2013 atrav\u00e9s dos CREAS e da assist\u00eancia social \u2013 cursos de capacita\u00e7\u00e3o. No entanto, Poliny explica que muitas vezes as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem ades\u00e3o por conta das heran\u00e7as de maus tratos e preconceitos sofridos pelo grupo, onde a popula\u00e7\u00e3o LGBT n\u00e3o se sente acolhida. \u201cMas da nossa parte, estamos criando uma portaria para que os munic\u00edpios possam buscar as coordenadorias para o aux\u00edlio de pol\u00edticas p\u00fablicas para este grupo de forma oficial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, a coordenadoria entregou cestas b\u00e1sicas para institui\u00e7\u00f5es que mapearam pessoas LGBTs em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em todo o estado. \u201cNossa maior preocupa\u00e7\u00e3o era garantir a seguran\u00e7a alimentar para o nosso segmento. O governo federal n\u00e3o auxilia eles, mas estamos aqui para acolh\u00ea-los\u201d, afirma Poliny Aguiar. A coordenadoria n\u00e3o informou quantas pessoas foram ajudadas ou quais a\u00e7\u00f5es tiveram al\u00e9m dessas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em busca de exemplos de pol\u00edticas p\u00fablicas ligadas \u00e0 prefeitura do Recife que englobam pessoas trans e travestis, entramos em contato com o Centro de Refer\u00eancia em Cidadania LGBT, atrav\u00e9s da soci\u00f3loga e atual coordenadora Irene Freire. O local busca oferecer atendimento e acolhimento para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, assim como servi\u00e7os jur\u00eddicos, psicol\u00f3gicos e assistenciais junto com um acompanhamento entre as fam\u00edlias e as v\u00edtimas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Irene comenta que a procura por abrigos aumentou consideravelmente entre 2020 e 2021. Com a quarentena, a conviv\u00eancia das pessoas trans e travestis com familiares aumentou e esse grupo acaba ficando mais vulner\u00e1vel a discrimina\u00e7\u00f5es dentro do pr\u00f3prio lar, somando isso ao desemprego, essa popula\u00e7\u00e3o&nbsp; acaba procurando alternativas para sobreviver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui em Recife existem abrigos noturnos que atendem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+. Esse abrigo noturno \u00e9 s\u00f3 para pernoitar, \u00e9 tempor\u00e1rio para quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de rua. L\u00e1 \u00e9 garantida a quest\u00e3o da identidade de g\u00eanero, na \u00e1rea feminina a mulher trans ir\u00e1 para uma vaga feminina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionada a exist\u00eancia de uma solu\u00e7\u00e3o mais duradoura para o problema de pessoas LGBTQI+ em situa\u00e7\u00e3o de rua, Irene explicou:\u201cNa perspectiva do nosso atendimento social, a partir da prefeitura temos um programa chamado Aluguel Social, que \u00e9 disponibilizado no valor de R$ 200. Ent\u00e3o esse aluguel a mulher trans, um homem gay, a mulher l\u00e9sbicas se est\u00e3o em vulnerabilidade esse programa \u00e9 um caminho. Esse programa \u00e9 de at\u00e9 tr\u00eas meses e pode ser renovado por mais tr\u00eas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o s\u00e9ria apontada pela coordenadora, foi o aumento da procura por assist\u00eancia psicol\u00f3gica em meio a pandemia da Covid-19: \u201cdevido a doen\u00e7as como s\u00edndrome de p\u00e2nico, borderline e a depress\u00e3o. A gente vive hoje uma pandemia em um desgoverno, que n\u00e3o vacina as pessoas e ocorre perdas precoce de entes queridos, ent\u00e3o \u00e9 uma s\u00e9rie de adoecimentos muito grande que atinge essa popula\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de reportagem tentou contato com a Secretaria de Sa\u00fade do Recife, a Policl\u00ednica Lessa de Andrade, o Espa\u00e7o Trans do Hospital das cl\u00ednicas da UFPE, o Conselho Estadual dos Direitos da Popula\u00e7\u00e3o LGBT e o Comit\u00ea da Cidadania LGBT, mas nenhum deles nos retornou ou cedeu as entrevistas.<\/p>\n\n\n\n<img style=\"max-width:100%\" src=\"\/\/cdn.thinglink.me\/api\/image\/1451950967837687809\/1024\/10\/scaletowidth#tl-1451950967837687809;\" class=\"alwaysThinglink\"><script async=\"\" charset=\"utf-8\" src=\"\/\/cdn.thinglink.me\/jse\/embed.js\"><\/script>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;\u201cInfelizmente, n\u00f3s que somos travestis, n\u00f3s que somos homossexuais, temos que nos virar de todas as formas. 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Esta \u00e9 a realidade de Aghata Mirella (33), apenas uma de 1,9% das brasileiras e dos brasileiros identificados como transsexuais ou travestis no pa\u00eds.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Segundo dados apresentados no dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o n\u00famero de pessoas trans assassinadas apresentou um aumento de 41% no ano de 2020 em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.&nbsp; Foram 175 mulheres trans e travestis que perderam suas vidas num per\u00edodo de fragilidade socioecon\u00f4mica ainda maior que o normal.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Al\u00e9m da dificuldade e do pouco apoio durante a pandemia do coronav\u00edrus, as pessoas trans tamb\u00e9m sofrem com um <em>plus <\/em>na rotina, convivendo com o preconceito, a transfobia e o racismo.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1042} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Aghata trabalhava no Clube Metr\u00f3pole, boate da empres\u00e1ria Maria do C\u00e9u, como atendente e administradora, mas precisou se afastar ap\u00f3s o fechamento do local devido \u00e0s pol\u00edticas de isolamento do governo estadual. \u201cEra onde eu me sustentava. Como a empresa fechou, eu t\u00f4 me virando com o trocadinho que Maria do C\u00e9u reservou pra gente e sigo nessa luta\u201d. Desempregada, ela precisou se mudar para morar com a m\u00e3e.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 angustiante. O medo do coronav\u00edrus somado ao preju\u00edzo financeiro resultou em demiss\u00f5es. De acordo com estimativa da Antra, com raras oportunidades de emprego, cerca de 90% das pessoas trans do pa\u00eds acabam recorrendo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Apenas 4% da popula\u00e7\u00e3o trans feminina se encontra em empregos formais, enquanto 6% est\u00e3o em atividades informais e subempregos. No clube Metr\u00f3pole, onde Aghata trabalhava, de 36 pessoas, 12 continuam. \u201cN\u00e3o estou recebendo nenhuma ajuda de custo do Governo. N\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil\u201d, reclama Agatha. \u201cSeria muito bom se o Governo ajudasse a gente\u201d, completa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1043} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-2.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1044} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os projetos sociais s\u00e3o um porto seguro que oferece apoio. \u201cVoc\u00ea v\u00ea projetos como o Transviver, que a prefeitura em nenhum momento chega pra ajudar. A gente precisa gritar, precisa falar com a m\u00eddia dizendo que a gente precisa sim de ajuda. O governador e o prefeito precisam ver que a gente \u00e9 ser humano\u201d, reclama. Aghata acredita que a bandeira trans \u00e9 uma luta que precisa ser levantada.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1047} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/AGHATA-4-OK.ogg\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A Aghata n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita e se repete na pele de Kalyndra, 25, que \u00e9 artista e trabalha com eventos e desfiles. Para ela, o momento \u00e9 ainda mais complicado para os transsexuais: \u201ctodos ficaram vulner\u00e1veis, mas principalmente n\u00f3s, que j\u00e1 encontramos muitas dificuldades no cotidiano em tempos normais como emprego, oportunidades de uma vida melhor e respeito nas ruas\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A exclus\u00e3o social atinge todas as fases da vida de uma pessoa trans. Elas t\u00eam dificuldade em encontrar espa\u00e7o no mercado de trabalho, o que influencia diretamente nas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia desse p\u00fablico. Dados da Uni\u00e3o Nacional LGBT apontam que o tempo m\u00e9dio de vida de uma pessoa trans no Brasil \u00e9 de apenas 35 anos. Isso significa menos da metade da m\u00e9dia brasileira quanto \u00e0s pessoas cisg\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Como forma de auxiliar esse p\u00fablico, surgiu o Transviver, a partir de um encontro de pessoas trans e que, hoje em dia, realiza a\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es. As atividades atualmente incluem time de futsal, cursos preparat\u00f3rios, cursos de ingl\u00eas e servi\u00e7os espont\u00e2neos na \u00e1rea de sa\u00fade e direito.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o trans, 90% praticamente, vive da prostitui\u00e7\u00e3o e nesse momento nem isso t\u00e1 podendo haver. Muitos se sujeitaram a voltar para suas casas e a opress\u00e3o \u00e9 muito grande dentro de casa\u201d, comenta Regina Guimar\u00e3es (61),\u00a0 presidente e fundadora da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1049} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/REGINA.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o, que vem prestando assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans, realiza a entrega de cestas b\u00e1sicas, kits de limpeza e higiene pessoal, kits para beb\u00eas, m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o e \u00e1lcool em gel no Bar do C\u00e9u, na Soledade. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a organiza\u00e7\u00e3o, acesse <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/transviver\">transviver<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Atuando h\u00e1 13 anos em Pernambuco, a organiza\u00e7\u00e3o Amortrans \u00e9 outra entidade que ajuda atrav\u00e9s de cestas b\u00e1sicas e cursos profissionalizantes. \u201cEstamos finalizando mais um curso de maquiagem e dando in\u00edcio a log\u00edstica e organiza\u00e7\u00e3o de um curso profissionalizante de corte e costura. Al\u00e9m disso, estamos ainda na capta\u00e7\u00e3o de recursos, pois vivemos de doa\u00e7\u00f5es da sociedade civil\u201d, diz Jana\u00edna Falc\u00e3o, 41, articuladora pol\u00edtica da ONG.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Segundo Jana\u00edna, o Governo do Estado n\u00e3o apoia a popula\u00e7\u00e3o trans e n\u00e3o ajuda nas a\u00e7\u00f5es. \u201cQuais a\u00e7\u00f5es, projetos do Governo atingem ou incluem pessoas trans? Nenhum\u201d, garante. A associa\u00e7\u00e3o possui mais de 40 mulheres filiadas e as doa\u00e7\u00f5es durante a pandemia se direcionam para aqueles que est\u00e3o sem trabalho.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O fechamento do com\u00e9rcio, boates e restaurantes foi um choque para o setor do entretenimento e lazer, n\u00e3o \u00e9 considerado essencial. \u201cO \u00faltimo dia que a boate funcionou foi 14 de mar\u00e7o de 2020 e eu j\u00e1 sabia que a gente n\u00e3o ia estar funcionando na pr\u00f3xima semana, mesmo que os clientes e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o soubessem, eu j\u00e1 estava acompanhando a situa\u00e7\u00e3o na Europa e sabia da gravidade da situa\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Maria do C\u00e9u, que administra empreendimentos voltados ao p\u00fablico LGBTQIA+.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><em>Entra \u00e1udio 6 de Maria falando sobre como foi o come\u00e7o da pandemia e a rela\u00e7\u00e3o com os funcion\u00e1rios+critica ao governo. (\u00e1udio bruto de 2min e 31)<\/em><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1050} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/MARIA-DO-CEU-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Por ser uma boate que contava com muitas apresenta\u00e7\u00f5es e artistas na sua composi\u00e7\u00e3o, diante da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, Maria do C\u00e9u conta que foram realizadas diversas a\u00e7\u00f5es para ajudar este grupo. \u201cA gente fez lives solid\u00e1rias, rede solid\u00e1ria LGBT, que era uma rede de coleta e distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, fizemos isso at\u00e9 chegar o aux\u00edlio emergencial. Foram distribu\u00eddas mais de 2.500 cestas. Foi uma coisa que come\u00e7ou para a comunidade LGBT, para os artistas e a\u00ed se expandiu para outras pessoas que precisavam\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Apesar de ser uma situa\u00e7\u00e3o que atinge toda a sociedade, a pandemia tamb\u00e9m pode afetar a vida de pessoas trans de outras formas. O designer Dada Cartaxo, homem trans em transi\u00e7\u00e3o durante a pandemia da Covid-19, tem parte do seu tratamento realizado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Em uma fase inicial, realizou exames m\u00e9dicos e participou de acolhimentos na Policl\u00ednica Lessa de Andrade, ligada \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade da Prefeitura do Recife, mas enfrentou uma pausa obrigat\u00f3ria durante o regime de lockdown no estado. O local possui um ambulat\u00f3rio LGBTQIA+.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA minha transi\u00e7\u00e3o foi muito violenta. Em 2017, eu falei que era trans, mas n\u00e3o consegui sustentar isso de uma forma legal\u201d. Dois anos depois, Dada voltou a afirmar publicamente que era trans: \u201ceu pensei que, se eu n\u00e3o levar isso a s\u00e9rio, quem vai levar?\u201d. Apenas em 2018 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade reconheceu que a transexualidade n\u00e3o era um transtorno mental.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O designer tamb\u00e9m revela que ainda tem problemas para aceitar os seus seios. \u201cHomens trans se mutilam, se cortam\u201d, desabafa. Dada afirmou ainda ter praticado \u2018cisplay\u2019 - fingir que \u00e9 algu\u00e9m do g\u00eanero oposto.&nbsp; Por exemplo, fingir que se reconhece como uma mulher para ir ao banheiro. \u201cO estigma, o medo de sair na rua, ter que fazer cisplay para usufruir dos privil\u00e9gios\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Por isso, ele reconhece a import\u00e2ncia do apoio psicol\u00f3gico, m\u00e9dico, de amigos e familiares: \u201ceu tenho uma rede de suporte. Eu sou branco, sou burgu\u00eas, moro em Casa Forte. Embora muitas vezes eu tenha pensado em suic\u00eddio\u201d. Sobre o reconhecimento social e a associa\u00e7\u00e3o de sua figura com a imagem que o senso comum associa tradicionalmente a uma mulher, Dada reconhece n\u00e3o se sentir \u00e0 vontade: \u201cEu tenho o rosto muito feminino, l\u00e1bios grossos e nariz afilado. Eu sou um cara muito feminino\u201d. Nesse sentido, ele pensa em dar in\u00edcio ao tratamento hormonal para atingir mais pelo, maxilar definido e entradas de cabelo masculinas.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cHoje em dia, eu acho que \u00e9 muito importante voc\u00ea mostrar a cara, porque s\u00f3 mostram a cara das pessoas trans transicionadas\u201d, afirma. \u201cEu quero ter tra\u00e7os mais masculinos, mas sou feliz com quem sou hoje. Nem todo homem trans odeia seu corpo\u201d. Mesmo assim, ele sente falta de algo: \u201cvoc\u00ea olha pra mim, n\u00e3o acha que \u00e9 um homem. Acha que \u00e9 uma mulher. Isso incomoda\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Fora do perfil social daqueles que s\u00f3 podem realizar o tratamento pelo SUS, o artista conta que fez essa op\u00e7\u00e3o por considerar que o servi\u00e7o p\u00fablico tem maior expertise e preparo para lidar com o p\u00fablico LGBTQIA+. Atrav\u00e9s do SUS, Dada s\u00f3 pretende realizar a terapia hormonal, j\u00e1 que a mastectomia - a retirada dos seios - demoraria muito.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA pandemia me fez olhar para o meu corpo. Desde que eu me assumi trans, de 2017 para c\u00e1, eu engordei 21 kgs e isso me prejudicou muito\u201d, relata. Estar pelado, dan\u00e7ando, tocando e reconhecendo seu corpo foi um ponto positivo destacado por ele nos momentos de isolamento social. Dada atribui essas mudan\u00e7as f\u00edsicas a rem\u00e9dios que desaceleram o metabolismo e a quest\u00f5es de sa\u00fade mental.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:video {\"id\":1061} -->\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/20210413_043808000_iOS-1-1.mp4\"><\/video><\/figure>\n<!-- \/wp:video -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Trazendo uma perspectiva diferente do per\u00edodo pand\u00eamico, primeira mulher trans selecionada para o The Voice Brasil, a recifense Diva Menner arrancou elogios dos quatro jurados ao cantar \u2018Through the Fire\u2019, e conseguir virar todas as cadeiras do programa. A edi\u00e7\u00e3o de 2020 da competi\u00e7\u00e3o musical se desenrolou durante a pandemia e acabou projetando a artista a n\u00edvel nacional em um per\u00edodo especialmente dif\u00edcil para os profissionais que sobrevivem da m\u00fasica.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ela conta que, ao retornar para Pernambuco, haviam oportunidades que n\u00e3o puderam ser completamente aproveitadas \u2013 pelo menos n\u00e3o naquele momento \u2013 devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do per\u00edodo. \u201cA vida t\u00e1 dif\u00edcil pra todo mundo. Principalmente pra n\u00f3s, do meio musical, somos os mais atingidos por n\u00e3o poder mais mostrar nosso trabalho\u201d, concluiu.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A carreira, al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o profissional, tem um significado especial para a primeira trans classificada no programa: poder desvencilhar uma imagem negativa em rela\u00e7\u00e3o a essas mulheres trans: \u201ctemos profissionais em diversas \u00e1reas. Conhe\u00e7o mulheres carcer\u00e1rias, delegadas, dentistas, diretoras de escola, professoras... Mas \u00e9 uma pequena fatia. S\u00e3o as ruas as primeiras portas que se abre para uma travesti, a porta da prostitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Casos como o de Diva s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. A verdade \u00e9 que no universo LGBTQIA+, a popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 a mais vulnerabilizada, segundo aponta a presidente da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero (CDSG) da Ordem dos Advogados do Brasil estadual, Goretti Soares. Sendo assim, esse grupo acaba demandando mais apoio da sociedade para enfrentar momentos de crise. S\u00e3o eles tamb\u00e9m que encontram mais dificuldade para conseguir a assist\u00eancia necess\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Quanto \u00e0s dificuldades espec\u00edficas do isolamento, Goretti destaca a moradia. \u201cConsiderando que a popula\u00e7\u00e3o trans tem dificuldades no universo familiar, pessoas tiveram que ir para as ruas. Muita gente que n\u00e3o tinha ou n\u00e3o tem onde morar, e muitas vezes ia para abrigos ou algum local, precisou se afastar para evitar aglomera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cPara quem vivia dentro de casa e j\u00e1 tinha problemas familiares, a expuls\u00e3o de casa \u00e9 uma realidade\u201d, termina a advogada.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Na Comiss\u00e3o de Diversidade e G\u00eanero, a presidente afirma que j\u00e1 havia uma expectativa negativa sobre a viv\u00eancia trans na pandemia. Por isso, algumas iniciativas precisaram ser tomadas, nesse caso, atrav\u00e9s de parcerias com outras entidades, p\u00fablicas e privadas, como a Coordenadoria LGBT do Estado e o Centro Estadual de Combate \u00e0 Homofobia. \u201cCom todas as limita\u00e7\u00f5es que temos, por ser uma comiss\u00e3o dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o privada e de categoria profissional, a gente tentou, fazendo parcerias, contribuir na medida do poss\u00edvel\u201d, explica.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cCriamos programas de arrecada\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, j\u00e1 no in\u00edcio da pandemia, quando a gente ainda n\u00e3o conhecia direito o que ia acontecer. N\u00f3s, em parceria com o Centro de Combate \u00e0 Homofobia e com a Comiss\u00e3o de Igualdade Racial da OAB-PE, promovemos uma arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e distribu\u00edmos para alguns grupos identificados\u201d, detalha Goretti. Segundo ela, as a\u00e7\u00f5es foram para atender o caso emergencial, tentando inclusive conseguir espa\u00e7o para essas pessoas nos locais privados de atendimento.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A presidente celebra o \u00f3rg\u00e3o que \u00e9 a primeira Comiss\u00e3o de Diversidade e G\u00eanero criada em todo o sistema OAB nacional. Entretanto, lamenta a aus\u00eancia de uma casa de acolhimento para pessoas trans no estado: \u201cessa \u00e9 uma luta que a popula\u00e7\u00e3o trava e que a nossa Comiss\u00e3o est\u00e1 tentando ver se consegue, atrav\u00e9s do poder p\u00fablico. Criar pelo menos uma casa de passagem, um centro de acolhimento para pessoas expulsas de casa ou vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia\u201d.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cA vulnerabilidade que j\u00e1 sofr\u00edamos aumentou,&nbsp; mas o medo do amanh\u00e3 que agora todo mundo tem era uma coisa que a gente j\u00e1 tinha desde sempre\u201d. Esta frase \u00e9 de Robeyonce Lima, tamb\u00e9m membro da CDSG, al\u00e9m de integrar a Comiss\u00e3o de Igualdade Racial da OAB. A primeira advogada travesti de Pernambuco, \u00e9 parte do mandato de co-deputadas Juntas (PSOL), a primeira chapa coletiva eleita para a Assembleia Legislativa do estado.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Como um s\u00edmbolo da representatividade no legislativo, Robeyonce explica algumas das dificuldades sofridas por ser uma travesti: \u201caprovamos com muita dificuldade, mas conseguimos. O projeto diz que o Governo do Estado tem que considerar casais LGBT na hora de distribuir moradia popular nos conjuntos habitacionais\u201d. \u201cA gente escutou, na Assembleia Legislativa, deputado falando quem n\u00e3o queria dar casa para \u2018viado safado\u2019, \u00e9 coisa desse n\u00edvel\u201d, desabafa a deputada.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Na sua vis\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+ n\u00e3o \u00e9 prioridade para o Governo do Estado quando o assunto \u00e9 pol\u00edticas p\u00fablicas. Atualmente n\u00e3o existe uma casa de abrigo para essa popula\u00e7\u00e3o em Pernambuco. Sem um abrigo espec\u00edfico, que tenha profissionais capacitados para cuidar de pessoas com um hist\u00f3rico de viol\u00eancia familiar, muitas n\u00e3o encontram alternativas de moradia e podem acabar nas ruas, expostas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da Covid-19.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cComo poder legislativo, estamos de m\u00e3os atadas em v\u00e1rios momentos. A Constitui\u00e7\u00e3o de Pernambuco diz que n\u00e3o podemos legislar sobre uma mat\u00e9ria que d\u00ea despesas para o governo. Dificultando, assim, que projetos de lei que buscam trazer esses espa\u00e7os f\u00edsicos\u201d, afirma.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1062} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/moradia-robeyonce.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Pouco se fala no governo sobre um apoio espec\u00edfico a esse grupo. Segundo Robeyonce, n\u00e3o existe por exemplo um dado espec\u00edfico de n\u00famero de casos de Covid-19 para pessoas LGBTQI+. Com o objetivo de se ter mais controle sobre esses dados, as JUNTAS protocolaram um PL dentro para que os prontu\u00e1rios de sa\u00fade da rede p\u00fablica do estado tenham o item a ser preenchido sobre a orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":1063} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/saude-robeyonce.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Com o intuito de confortar as pessoas trans, Robeyonce demonstrou palavras de conforto.\u201cO amanh\u00e3 \u00e9 um medo constante para a gente, n\u00e3o sabemos se vamos viver no dia seguinte porque pode chegar qualquer pessoa, matar a gente, dar uma facada, um tiro ou ser apedrejada. Temos que ficar nessa luta e na resist\u00eancia constante que j\u00e1 \u00e9 uma coisa t\u00edpica da gente sabe da popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+ principalmente em um pa\u00eds extremamente&nbsp; machista e LGBTQIf\u00f3bico. Temos que continuar firme e em casa, se tiver, e arrumar uma forma de ativismo pol\u00edtico para que a gente n\u00e3o se cale durante a pandemia. Ficar em casa n\u00e3o quer dizer ficar calada!\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Entretanto, existem no estado institui\u00e7\u00f5es voltadas para os LGBTs. A coordenadoria de pol\u00edticas LGBT do Governo do Estado, nasceu em 2009 como uma assessoria, com o intuito de trazer para dentro da estrutura do executivo essa tem\u00e1tica. \u201cO nosso trabalho \u00e9 feito&nbsp; em di\u00e1logo com a sociedade civil, por meio do conselho LGBT\u201d. \u201cEstamos construindo um plano da diversidade onde existem propostas de execu\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas LGBT dentro das Secretarias Estaduais. O plano est\u00e1 sendo constru\u00eddo desde antes da pandemia e agora estamos tentando adaptar para os anos de 2021 at\u00e9 2023\u201d, explica a coordenadora Poliny Aguiar.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cO conselho que faz parte da coordenadoria \u00e9 composto pela parte civil e pelos pol\u00edticos. O espa\u00e7o onde o grupo faz sugest\u00f5es, se baseiam pelo plano, que foi estudado e baseado em confer\u00eancias e \u00e9 onde acontecem os di\u00e1logos das secretarias e monitoria das execu\u00e7\u00f5es do plano\u201d, completa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A coordenadoria tamb\u00e9m faz o di\u00e1logo com os munic\u00edpios de Pernambuco buscando incluir pol\u00edticas para acolher os LGBTS e promover \u2013 atrav\u00e9s dos CREAS e da assist\u00eancia social \u2013 cursos de capacita\u00e7\u00e3o. No entanto, Poliny explica que muitas vezes as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem ades\u00e3o por conta das heran\u00e7as de maus tratos e preconceitos sofridos pelo grupo, onde a popula\u00e7\u00e3o LGBT n\u00e3o se sente acolhida. \u201cMas da nossa parte, estamos criando uma portaria para que os munic\u00edpios possam buscar as coordenadorias para o aux\u00edlio de pol\u00edticas p\u00fablicas para este grupo de forma oficial\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>No ano passado, a coordenadoria entregou cestas b\u00e1sicas para institui\u00e7\u00f5es que mapearam pessoas LGBTs em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em todo o estado. \u201cNossa maior preocupa\u00e7\u00e3o era garantir a seguran\u00e7a alimentar para o nosso segmento. O governo federal n\u00e3o auxilia eles, mas estamos aqui para acolh\u00ea-los\u201d, afirma Poliny Aguiar. A coordenadoria n\u00e3o informou quantas pessoas foram ajudadas ou quais a\u00e7\u00f5es tiveram al\u00e9m dessas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Em busca de exemplos de pol\u00edticas p\u00fablicas ligadas \u00e0 prefeitura do Recife que englobam pessoas trans e travestis, entramos em contato com o Centro de Refer\u00eancia em Cidadania LGBT, atrav\u00e9s da soci\u00f3loga e atual coordenadora Irene Freire. O local busca oferecer atendimento e acolhimento para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, assim como servi\u00e7os jur\u00eddicos, psicol\u00f3gicos e assistenciais junto com um acompanhamento entre as fam\u00edlias e as v\u00edtimas.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Irene comenta que a procura por abrigos aumentou consideravelmente entre 2020 e 2021. Com a quarentena, a conviv\u00eancia das pessoas trans e travestis com familiares aumentou e esse grupo acaba ficando mais vulner\u00e1vel a discrimina\u00e7\u00f5es dentro do pr\u00f3prio lar, somando isso ao desemprego, essa popula\u00e7\u00e3o&nbsp; acaba procurando alternativas para sobreviver.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cAqui em Recife existem abrigos noturnos que atendem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+. Esse abrigo noturno \u00e9 s\u00f3 para pernoitar, \u00e9 tempor\u00e1rio para quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de rua. L\u00e1 \u00e9 garantida a quest\u00e3o da identidade de g\u00eanero, na \u00e1rea feminina a mulher trans ir\u00e1 para uma vaga feminina\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ao ser questionada a exist\u00eancia de uma solu\u00e7\u00e3o mais duradoura para o problema de pessoas LGBTQI+ em situa\u00e7\u00e3o de rua, Irene explicou:\u201cNa perspectiva do nosso atendimento social, a partir da prefeitura temos um programa chamado Aluguel Social, que \u00e9 disponibilizado no valor de R$ 200. Ent\u00e3o esse aluguel a mulher trans, um homem gay, a mulher l\u00e9sbicas se est\u00e3o em vulnerabilidade esse programa \u00e9 um caminho. Esse programa \u00e9 de at\u00e9 tr\u00eas meses e pode ser renovado por mais tr\u00eas\u201d.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Outra quest\u00e3o s\u00e9ria apontada pela coordenadora, foi o aumento da procura por assist\u00eancia psicol\u00f3gica em meio a pandemia da Covid-19: \u201cdevido a doen\u00e7as como s\u00edndrome de p\u00e2nico, borderline e a depress\u00e3o. A gente vive hoje uma pandemia em um desgoverno, que n\u00e3o vacina as pessoas e ocorre perdas precoce de entes queridos, ent\u00e3o \u00e9 uma s\u00e9rie de adoecimentos muito grande que atinge essa popula\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A equipe de reportagem tentou contato com a Secretaria de Sa\u00fade do Recife, a Policl\u00ednica Lessa de Andrade, o Espa\u00e7o Trans do Hospital das cl\u00ednicas da UFPE, o Conselho Estadual dos Direitos da Popula\u00e7\u00e3o LGBT e o Comit\u00ea da Cidadania LGBT, mas nenhum deles nos retornou ou cedeu as entrevistas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:code -->\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>&lt;div class=\"infogram-embed\" data-id=\"5b851b29-e50f-4362-8e5c-647b59d0a78a\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Pessoas trans\">&lt;\/div>&lt;script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")&#91;0];if(window&#91;t]&amp;&amp;window&#91;t].initialized)window&#91;t].process&amp;&amp;window&#91;t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");&lt;\/script>&lt;div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\">&lt;a href=\"https:\/\/infogram.com\/5b851b29-e50f-4362-8e5c-647b59d0a78a\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\">Pessoas trans&lt;\/a>&lt;br>&lt;a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Infogram&lt;\/a>&lt;\/div><\/code><\/pre>\n<!-- \/wp:code -->","_et_gb_content_width":""},"categories":[229],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1041"}],"collection":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1041"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1041\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1095,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1041\/revisions\/1095"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/observatoriopp.unicap.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}