Antiproibicionismo

 

No meio de tantas drogas e substâncias, a mais polêmica delas é o THC, mais conhecido como Cannabis Sativa ou Maconha, que mostra índices de vício baixíssimos e é utilizada como medicamento em diversos tratamentos ao redor do mundo. Mas ela não fica de fora no combate às drogas, que é um fracasso em vários países no ocidente, com várias consequências colaterais, como encarceramento em massa e violência sistemática, e o Brasil não fica de fora desse cenário.

Os danos causados na sociedade são gigantescos, e muitos dos problemas que nós associamos ao uso de drogas, na realidade são causas da guerra às drogas, que alimentam situações já difíceis de lidar na sociedade, como o racismo. Enquanto jovens brancos são mais prováveis de usar drogas, jovens negros são dez vezes mais prováveis de serem presos, além de que a maioria das mortes pela politica de combate as drogas são de jovens negros da periferia.

O observacast conversa com a advogada criminalista Maria Luísa Cabral e com Pedro Mello, o diretor executivo do Instituto Anandamida, sobre o uso da maconha como substância medicinal e seus efeitos.

“Enquanto jovens brancos são mais prováveis de usar drogas, jovens negros são dez vezes mais prováveis de serem presos”

O que acontece para que a maconha seja tão mal vista pelos olhos brasileiros tem, sim, a ver com questões mais conservadoras, que acreditam no proibicionismo e na apreensão violenta como uma solução para o problema. Contudo, a questão criminal é uma justificativa para encobrir o extermínio de pessoas socialmente vulneráveis, cuja qualidade de vida precária se torna o preceito para uma política de higienização populacional.

Quase 61% das pessoas presas no Brasil por Crimes Hediondos e Equiparados é por tráfico de drogas – levantamento nacional de informações penitenciárias

De acordo com a Fiocruz, no Brasil cerca de 15,7 milhões de pessoas Em 2015 afirmaram já ter usado maconha

Da mesma maneira que são bloqueados os direitos de uma vida digna, as qualidades de consumo da própria droga consta como extremamente baixa, resultando na criação de fumos insalubres, como é o caso do prensado. Pesquisadores afirmam que tal forma de consumo só existe graças ao bloqueio de informações que se têm sobre a maconha e a substância THC, visto que o incentivo do estudo da planta é olhado como um incentivo ao tráfico.

É visível que existe muito para se debater sobre essa droga, e que até agora toda essa discussão foi focada no Brasil, mas a realidade é que não dá para se falar sobre maconha sem mencionar e fazer paralelos com outros países. Cada caso é um caso, e diferentes lugares vão requerer diferentes políticas para combater e lidar com os problemas consequentes da legalização ou não da maconha e outras drogas. Se você quiser saber mais sobre a situação em outros territórios ao redor do globo, cheque este story map: O caminho da tolerância canábica.

 

Créditos: João Paulo, Aline Luna, Emerson Saboia, João Pedro e Luis Lucena