Políticas Públicas para os transportes públicos na pandemia

por: Hugo Galli, Osmar Cordeiro e Victor Peixoto

A Região Metropolitana do Recife, ou Grande Recife, é, segundo estimativa do
IBGE divulgada em 2018, a terceira maior região metropolitana do Brasil e está
entre as 120 maiores de todo o mundo, possuindo 4,044 milhões de habitantes,
dado ainda mais impactado quando analisamos a densidade demográfica da região,
a terceira maior do País com 1 260,74 hab./km².
Tais dados significam que mais da metade da população (2,2 milhões) utiliza
transporte públicos (ônibus e metrô) diariamente e, se extrapolarmos tal número em
relação à população economicamente ativa (aprox. 3,27 milhões), que, em teoria,
mais necessitam do serviço, esse número chega a 67,3%.
Se considerarmos apenas o ônibus, transporte público mais utilizado 2 milhões de
passageiros diários, quase 10 vezes mais que o metrô), e assumirmos a capacidade
média de 70 passageiros (em pé e sentados) para cada um dos 3000 ônibus
disponibilizados pelo Consórcio Grande Recife, temos 0,105 vagas disponíveis por
passageiro. É evidente que este número não é contextualizado e desconsidera
completamente o fato de que os 2 milhões de usuários não usam o meio de
transporte simultaneamente. Contudo, ao traçarmos um paralelo com São Paulo,
que possui 15 mil ônibus disponibilizado pela SPTrans para os 8,8 milhões de
passageiros diários e, portanto, utilizando a mesma média de 70 lugares por
veículo, temos 0,111 vagas por passageiro. Um número não tão diferente, é
verdade, mas o verdadeiro impacto fica por conta do fato de que, em São Paulo, o
transporte é muito mais flexibilizado, uma vez que 5,3 milhões de pessoas utilizam o
metrô na cidade, mais da metade dos que utilizam ônibus e uma proporção bem
diferente da nossa cidade, onde, como citado acima, o número de usuários diários
do metrô não chega à 10% do de ônibus. Fato explicado pela limitante malha
ferroviária do Recife, que conta com apenas 37 km e 3 linhas de metrô, com 35
trens ativos, ao passo que São Paulo conta com 101 km, 14 linhas e mais de 232 trens. É evidente que devemos dar os devidos descontos pela extensão territorial,
condições geográficas e devemos fazer uma análise contextual e proporcional.
Tal divergência entre as opções do meio de transporte acarreta em uma série de
outros problemas, como a sobrecarga do sistema de ônibus, que, muito mais
utilizados, precisam de mais manutenção e, portanto, encarecem o preço final das
passagens. Além, claro, do desconforto e lentidão, o que torna Recife a capital onde
mais se demora (96 minutos) pra se chegar ao trabalho, ou voltar pra casa, de
acordo com levantamento do app MOOVIT. O app ainda afirma que o Recife é a
terceira cidade onde mais se espera pelo transporte público, com tempo médio de
27 minutos, situações essas que possibilitam uma maior exposição à assaltos,
furtos e outros tipos de violência, além, claro de uma piora considerável na
qualidade de vida, ampliando consideravelmente a jornada de trabalho, algo ruim
tanto para empregado quanto para empregadores, pois, além dos danos à saúde e
segurança, já citados acima, também afetam a produtividade e, portanto, a
multiplicação de riqueza. Os números são ainda mais impressionantes quando
constatamos o fato de que Recife é a quarta cidade do país com mais espaços
reservados ao transporte público, com 114,33 km entre corredores e faixas exclusivas de ônibus e BRT.

Como vivem as vítimas

Paulo Pinheiro, de 20 anos de idade, estuda jornalismo e é um dos milhares de usuários do transporte público recifense. O estudante reclama principalmente da falta de logística entre as empresas, e isso acaba fomentando atrasos gigantescos.

Esse tempo de espera relatado pelo Paulo é algo que já reflete no país inteiro, e a Agência Brasil/EBC fez uma pesquisa e constatou que Recife é a capital com o maior tempo de espera quando nos referimos a transportes públicos (25 min).

Lucilo Cavalcanti, funcionário público de 56 anos de idade, utiliza o ônibus como principal meio de transporte há 7 anos, e aponta o ar-condicionado nos ônibus, como item de conforto indispensável.

Segundo a Grande Recife Transportes, em 2018, apenas 11,25% da frota de ônibus que circulam na RMR é climatizada, um número considerado baixo levando em consideração a temperatura média na capital Pernambucana (23°C – 31°C).

Marina Melo, de 20 anos de idade e também estudante de jornalismo, utiliza o ônibus como um dos principais meios de locomoção a 8 anos.

Marília Parente, 26 anos, jornalista, devido a pandemia ela parou de andar de ônibus e passou a usar a bicicleta com seu meio de transporte.

Como reage a sociedade civil organizada

Thuanne Teixeira. economista doméstica por formação na UFRPE, moradora da zona leste de recife faz parte da AMECICLO (Associação Metropolitana de Ciclistas) que vem com a proposta de transformar as cidades, através da bicicleta, em ambientes mais humanos, democráticos e sustentáveis.

“Recife se encontra entre as cidades com o pior trânsito do mundo e tem o pior do Brasil. Além da estagnação da cidade, a qualidade do transporte público e seu custo colaboraram para que eu tomasse essa decisão. Me locomover na cidade estava se tornando a coisa mais desgastante do meu dia, além de onerosa. Sendo assim, passei a utilizar a bicicleta, economizar tempo e dinheiro, o que transformou completamente minha qualidade de vida. Desde não, não larguei. Comecei em 2014. Ainda tem o fato de eu ser uma mulher e sofrer assédios nos transportes públicos. A bicicleta me trouxe autonomia, liberdade e espaço. Sou só eu e minha bicicleta, ninguém encosta no meu corpo. Isso também pesou muito para minha escolha de utilizar a bicicleta como meio de transporte principal na cidade… O melhor foi descobrir que tudo em Recife é perto e que 10km é um pulo!”

Thuanne também falou sobre como o governo poderia melhorar a situação de quem utiliza a bicicleta como meio de transporte?

“Primeiramente fazendo a escuta da sociedade civil, tanto de organizações como das pessoas que usam a bicicleta. Fica muito evidente que quem planeja essas estruturas não anda de bicicleta. Até temos um Plano Diretor Cicloviário – PDC (desde 2014) para direcionar essas implementações, mas a Prefeitura não o tem seguido (apesar de ser bem completo e ter sido bem cara a sua feitura). Acredito que seguir o PDC é o melhor caminho para a melhoria da estrutura cicloviária na cidade. Ele foi feito justamente pra isso, falta só ser implementado. Melhorar fiscalização também é essencial. É muito comum ver pessoas estacionando seus veículos em ciclofaixas, não nosso espaço, não respeitando o distanciamento de ultrapassagem, não dando a preferência… É urgente que as pessoas respeitem o Código de Trânsito Brasileiro e que o Estado garanta ferramentas para isso. Paralelamente a isso, tem que haver um desestímulo ao uso do automóvel particular. Apenas 15% da população usa carro, no entanto, vemos uma cidade dando preferência esse modo de transporte. Veículos pesados sobre nosso solo, ocupando muito espaço, muitas vezes levando apenas uma pessoa… Não faz sentido priorizar esse modo, principalmente se levarmos em consideração o Plano de Baixo Carbono, que verificou que mais de 60% da poluição da cidade vem do veículo motorizado. Pesquisas mostram que, se houver estrutura cicloviária, mais pessoas irão se sentir à vontade para andar. As pessoas têm medo, obviamente. Proporcionar estrutura adequada é estimular a saúde da população, do ambiente, da cidade. É proporcionar uma melhor mobilidade, economia local e tudo isso de forma sustentável.”

Pedro Josephi.Faz parte dos coordenação da frente de luta pelo transporte público em Pernambuco. Os problemas ligados aos transportes público são diversos, gerando muito desconforto para os passageiros e muitas reclamações.Dessa forma é importante garantir as políticas públicas com qualidade. “É necessário uma remodelagem do financiamento” / “Um novo mapeamento da rede de transporte”. Sobre o que fazer pelas políticas públicas: “Os órgãos governamentais, que é o governo do estado “/ “falta orçamento para estruturar a relação metroviária”. 

O papel da gestão

Francisco Cunha, é um dos co-fundadores do TGI – consultoria em gestão , fez parte da criação de alguns projetos sociais, referentes a mobilidade, entre eles: “Olhe pelo Recife cidadania a pé “ e ativista pela mobilidade a pé. sobre os principais problemas ligadas aos transportes públicos, francisco falou o seguinte: “ Principal problema do transporte público, principalmente por ônibus é a falta de prioridade”/diminuir o tempo das pessoas dentro dos veículos”. Os principais problemas para quem usa essa esses transportes diz respeito à superlotação os veículos ficam misturados, os coletivos precisam de via exclusiva. Assegurar as políticas públicas para para os passageiros de transportes público é de grande importância, mas se deve dar espaço com mais qualidade para os pedestres”incentivar políticas públicas de mobilidade aos pedestres”/ter calçadas de boa qualidade e bom sombreamento”.