Novo Ensino Médio desregulado pela escassez de políticas públicas na educação

Este episódio do Observacast discute a escassez de políticas públicas para regular o “Novo Ensino Médio”. A reportagem entrevistou a professora de escola pública, Amanda Amaral, e a aluna do primeiro ano do Ensino Médio, Maria Eduarda. Em seus depoimentos, as personagens apontam o descaso do governo em relação à educação pública, e relataram como foi o vivenciar o “Novo Ensino Médio”, que neste ano alcança todas as escolas do país. O podcast também contou com a participação de Cassia Jane, coordenadora do programa de direitos das crianças, adolescentes e jovens do Centro das Mulheres do Cabo. A apresentação é de Nathalia Valentim e Wilma Santos, produção de Guilherme Anjos, Laís Galdino e Vanessa Morais, edição de Marcos Gordinho e supervisão de Andrea Trigueiro.

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Aprovada em 2017, durante a gestão de Michel Temer, e aplicada durante o governo Bolsonaro, a reforma do ensino médio traz grandes mudanças para o currículo dos estudantes, como o aumento da carga horária, a transformação de disciplina anteriormente obrigatórias em optativas, e a implementação de cursos técnicos a serem oferecidos pelas escolas. Segundo o Presidente licenciado da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, a reforma foi realizada sem consulta com os estudantes ou debate com a CNTE — ou seja, sem participação dos principais envolvidos. O presidente disse ainda que os responsáveis pela lei desconsideraram que mais de três mil municípios no Brasil tem apenas uma escola de ensino médio. Tais escolas funcionam em todos os três turnos, e não têm condições de se adaptar às novas exigências de aumento da carga horária diária.

O Novo Ensino Médio também põe em risco o papel dos professores na escola com a possibilidade de contratação de profissionais por notório saber, e sem políticas de capacitação dos professores para o ensino dos “Itinerários Formativos”. Na busca de “dinamizar” a educação, o  Novo Ensino Médio faz um desserviço ao ensino público e ao futuro do país priorizando a capacitação técnica e afastando os jovens da formação acadêmica. Para Heleno Araújo, a lei não atua de fato na raiz dos problemas existentes no ensino, e não contribui para o desenvolvimento acadêmico e intelectual da juventude brasileira.

Trazemos detalhes acerca da nova reforma para você através do infográfico: